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A Secretaria - Capitulo 7



CAPÍTULO 7: TORRE DO TERROR


Minhas pernas cederam e eu caí de joelhos para frente. Se Joe não tivesse se abaixado um pouco para me segurar, eu teria mergulhado de cabeça no estômago dele. Então, nós acabamos numa posição meio cômica, completamente revirados, com as mãos dele grudadas na minha cintura, meu cabelo quase varrendo o chão e Joe inclinado para frente de forma que a ponta do meu nariz tocava o dele. Minhas mãos pendiam nas laterais do meu próprio corpo, mas eu queria enterrá-las naquele cabelo macio dele. Ou agarrar aquela bunda.
Eu sabia que ele estava tão desconfortável com aquele ângulo quanto eu, mas pareceu que ficamos parados daquele jeito por horas, uma verdadeira eternidade, enquanto nossas respirações se misturavam e nossos olhos se encontravam naquela semi-escuridão azul.
Quando parecia que Joe ia falar alguma coisa, houve outro solavanco no elevador que me fez agarrar nos ombros dele. O elevador permaneceu no mesmo lugar, sem se mover depois disso, enquanto Joe nos trouxe para cima, de pé, rapidamente ajeitando nossas posições, impedindo que caíssemos mais uma vez.
Como eu estava de salto alto, o topo da minha cabeça tocava a mandíbula de Joe e eu sabia que se tirasse os sapatos, ele seria capaz de me acolher seguramente embaixo do seu queixo. A diferença de altura, longe de me intimidar, fazia-me sentir feminina. Minhas mãos ainda estavam nos ombros dele. E, não, aquelas coisas duras não eram ombreiras. Porque embora ele parecesse esguio perto de Kevin, Joe claramente não era esguio.
Ele mantinha um braço me enlaçando completamente, ao redor das minhas costas, com a mão parada na lateral da cintura, enquanto a outra mão estava enrolada no meu cabelo. O cheiro dele, de sabonete caro, camiseta de algodão, e um aroma masculino distintamente próprio de Joe, fazia cócegas no meu nariz, no ponto onde meu rosto se escondia em sua camisa.

− Você acha que ficamos sem energia elétrica? – minha voz saiu abafada contra as roupas dele e eu tive que limpar a garganta no meio da frase para poder terminar de falar.

Em minha defesa, eu estava tendo flashbacks da minha festa de aniversário de sete anos, quando fiquei presa na cabine do banheiro e minha mãe levou duas horas para me achar. Eu também estava veementemente ciente de que Joe Jonas me tinha embrulhada em seus braços no que era essencialmente um abraço.
Um abraço que durou segundos, porque o braço que ele mantinha em volta das minhas costas se soltou, e sua outra mão desceu da minha nuca, passando pelo meu ombro, até que finalmente encontrou meu braço, segurando firmemente acima do cotovelo. Eu sabia que ele apenas matinha a mão ali para o caso de eu cair novamente, mas ele precisava movê-la de modo tão íntimo?
Em resposta à minha pergunta, a que eu fiz em voz alta, ele usou a outra mão para abrir o painel de controle do elevador e pegar o telefone de emergência. O franzido no cenho que ele fez quando colocou o fone no ouvido fez meu coração bater mais rápido de nervosismo, sendo que ele já batia de forma descontrolada antes disso, em excitação. Ele tocou o botão de rediscagem algumas vezes.
− Então? – deixei escapar, mesmo sabendo que minha voz ainda tinha um tom daquela raiva pelo modo como ele havia me tratado antes.
− Está mudo. – ele informou, desligando. A mão de Joe deslizou pelo bolso do paletó, sem dúvida em busca do celular, até que ele pôde verificar que o aparelho não tinha recepção de sinal lá dentro.

Embora, eu tivesse, é claro, sonhado em ficar presa no elevador com Joe Perfeição Jonas, o pânico começou a aflorar em mim, por estar confinada numa caixa de aço de dois por dois metros, segurada por alguns fios e cabos, suspensos a quarenta e nove andares do chão. Sem falar daquela luz azul pra lá de sinistra que parecia criar mais sombras do que propagar iluminação naquele recinto limitado.
− Então, a gente fica esperando? – esse som esganiçado foi mesmo a minha voz? Eu não conseguia identificar de verdade com todo aquele sangue pulsando alto no meu ouvido.

Como resposta, Joe soltou meu braço, tirou o paletó, e deslizou o corpo pela parede, acomodando-se no chão com as pernas esticadas a sua frente.

− Aqui está. – e, para minha surpresa, ele estendeu sua jaqueta sobre o piso, bem ao lado dele, para que eu não tivesse que sentar no chão frio de madeira.

Eu fiquei meio sem ação por um segundo, porque essas mudanças de humor dele estavam me deixando zonza. Como ele podia oscilar entre responder aos meus flertes em um dia, a ser um babaca pelo resto da semana, e falar meu nome a menos de dois minutos atrás, para ficar todo sangue-frio e moderado nesta porra de torre aterrorizante?
Mas, antes que eu pudesse falar ou agir, o elevador sacolejou mais uma vez, e somente Joe inclinando-se para frente com as mãos no meu quadril conseguiram me impedir de bater a cabeça contra a parede do elevador. Se estivéssemos em outro momento e em qualquer outro lugar, e a cabeça de Joe estivesse enterrada no meu estomago, com as mãos dele roçando nas minhas coxas, eu provavelmente pensaria, desce um pouco mais. Mas, toda essa coisa do elevador ficar caindo alguns centímetros a cada poucos minutos estava realmente, realmente me assustando. Embora eu não conseguisse tirar meu foco do calor saindo de seus dedos ásperos, calejados. Isso me deixou surpresa porque eu esperava que sua pele fosse mais macia, menos masculina.
− Sente-se antes que você caia. – a voz dele estava abafada contra mim.

Ignorando o modo como suas mãos pareciam se prolongar nas minhas coxas, eu rapidamente dei um passo para trás, me virei e sentei no chão ao lado dele, com nem um pouco da graça que ele havia feito o mesmo movimento. Nós dois agora encarávamos a parede espelhada da direita do elevador, sentindo as laterais nossos corpos se tocarem. Quando eu vi pela parede espelhada que Joe estava com a cabeça abaixada, virada para mim, e que ele franzia a testa para as minhas coxas, eu imediatamente arrumei minha saia para que não ficasse tão para cima, e nesse instante o elevador deu outra enguiçada, descendo mais alguns centímetros.

− Ok, é agora. – minha voz estava histérica e eu não podia me importar menos com isso. – Não deveria haver freios? Ou freios de emergência? Ou freios de emergência dos freios de emergência para quando um deles falhar? Tipo, essa é a porra da Torre Jonas, não a Torre do Terror!
Como Joe não respondeu, eu olhei para ele através do espelho e havia um pequeno sorriso torto naquele rosto, como se estivesse tentando não rir. Céus, de todas as vezes que eu quis que ele risse de algo engraçado que eu tinha falado, e ele finalmente escolhe rir do meu pânico miserável?

− Por favor, tente ficar calma. – ele me disse numa voz macia, do tipo que você usaria com uma criança frustrada. – Tenho certeza que é uma simples falha que será consert... – as luzes de emergência morreram, deixando-nos na completa escuridão, e o elevador desceu mais um andar ou dois. – ... consertado a qualquer momento.

Eu só percebi que a minha mão estava fincada no joelho de Joe quando senti a mão dele repousando sobre a minha. O dedão dele começou a desenhar círculos reconfortantes sobre os meus tendões, e eu o ouvi murmurando numa voz aveludada, como um gato ronronando, em meio ao breu.

− Está tudo bem, Demi. Está tudo sob controle.
As paredes a nossa volta começaram a chacoalhar ininterruptamente, nos lançando para baixo, descendo alguns andares aos solavancos, parando e engasgando no meio do caminho. Eu comecei a tremer também, meu lábio inferior tremulava, e eu sabia que estava a segundos de uma crise de choro.

− Demi? Está tudo bem, ok?

Eu não conseguia responder. Eu sabia que se abrisse a boca, seria num rompante de lágrimas. Por Deus, onde estava aquela Demi atrevida de segunda-feira? Ah, é mesmo, ela tinha passado a semana sendo continuamente rejeitada, e agora estava completamente no escuro dentro do que poderia ser considerada uma armadilha letal, sem meio de contatar o mundo exterior e sem fazer idéia se alguém sabia que ela estava ali.
Houve uma sacudida particularmente mais forte do que as outras, e eu teria me chocado diretamente contra a parede atrás de mim se Joe não tivesse inesperadamente me puxado contra o seu peito, suportando a violência do choque em seu próprio corpo. Se ele chegou a bater a cabeça ou algo assim, não demonstrou em nenhum momento, meramente me apertando contra ele e repetindo para mim que estava tudo bem.
Quando eu não respondi mais uma vez, ele indagou:

− Demi?

E como eu podia não responder àquela voz perfeita que dizia meu nome com tanta preocupação, quando aquele corpo maravilhoso e quente embrulhava e envolvia o meu?

− E-eu estou b-bem.

Ao som da minha voz fraca, senti a mão de Joe subir dos meus ombros, para tocar meu rosto. Eu me sentia pequena e juvenil acomodada daquela forma em suas mãos grandes, e o sentimento se intensificou quando percebi que eu estava chorando nelas.

− Você não está bem. Vem aqui." Ele respondeu com vigor, e eu desejei estar com a mente equilibrada para que pudesse tirar vantagem do fato de que ele, então, me puxou mais perto de si de forma que agora eu estava sentada entre as suas pernas.
Os seus braços me envolveram novamente, eu senti seu rosto pressionado contra o meu cabelo, ouvi um calmo "shh, Demi”, e isso me bastou. Dali em diante, eu estava subitamente encolhida contra o peito dele como uma criança assustada e açoitada, com os meus braços contornando o pescoço dele e meu rosto escondido em algum canto daquele corpo caloroso.
Em resposta à minha submissão, e porque eu estremeci quando o elevador começou a aturdir numa espécie de guizo, senti as coxas firmes de Joe me apertarem dos dois lados, enquanto uma de suas mãos voltava se enterrar no meu cabelo, e a outra massageava as minhas costas em movimentos circulares.

− Mas, e s-se eles não souberem qu-que estamos aqui? – eu gaguejei, provavelmente arruinando a camisa dele com as minhas lágrimas. Eu senti o rosto de Joe movimentado-se sobre o meu cabelo enquanto ele falava, sem se afastar dos meus fios.
− Eles sabem que estamos aqui, anjo. Não vai demorar muito, agora. Por favor, não chore.
Isso, claro, me fez chorar ainda mais. Joe me segurou durante todo o tempo, seu rosto permanecia no meu cabelo, ocasionalmente sussurrando palavras de conforto e praticamente me implorando para parar de chorar. Eu tive a impressão de que ele não gostava de me ver – ou me sentir – chorar, porque o modo como ele pedia, repetidamente, era "por favor, pare de chorar, por mim? por favor, querida?"
E ele ficava me chamando de coisas enquanto sussurrava entre as minhas mechas de cabelo, como "querida" ou "anjo". Eu desejei mais do que tudo que eu pudesse me concentrar nisso, que eu pudesse inferir se realmente eram os lábios dele pressionados contra a minha testa no fim de cada frase, mas tudo o que eu podia sentir, ou pensar, ou ouvir, era o modo como o elevador continuava a descer.
Já devia ter se passado mais de meia-hora, quando cruzamos o décimo-terceiro andar, e as luzes de emergência ressurgiram.
Eu mantinha meus olhos fechados firmemente, mas Joe ergueu minha cabeça correndo uma mão entre os fios de cabelo da minha nuca, e sussurrou:

− Vê, amor? Não vai demorar muito agora, eu prometo.

Eu fitei os olhos de Joe, que me encaravam com tamanha calma, compaixão e preocupação, enquanto o elevador mergulhava em outra queda livre. Senti meu estômago colar na garganta. Uma sensação nauseante de leveza tomou conta de mim. Eu teria olhado para os números dos andares piscando a uma velocidade alarmante enquanto continuávamos a descer, mas Joe veementemente puxou meu corpo de volta para o dele, com tanta força que doía. Seus braços me prendiam apertados, pressionando as minhas costas, e uma mão se firmou atrás da minha cabeça de forma protetora, empurrando meu rosto em seu pescoço. Suas pernas flexionadas me prendiam pela cintura. Era como se o corpo inteiro dele tentasse formar uma concha protetora ao redor de mim.
Quando eu enfim realizei na minha mente que iríamos morrer, o elevador deu um solavanco final, abruptamente interrompendo sua descida. Joe e eu nos segurávamos um ao outro com tanta força que todos os músculos do meu corpo gritavam de dor. Nenhum de nós se moveu, mas com meu corpo tão colado no dele pude sentir que meu coração batia desesperadamente mais rápido do que o de Joe. Como aquilo podia não assustá-lo da forma que fazia comigo?
No que eu senti ser um minuto, mas que deve ter levado pelo menos dez para passar, as luzes superiores voltaram a funcionar, e podíamos ouvir pessoas batendo na porta.

− Todo mundo bem aí dentro?

O aperto de Joe em volta de mim diminuiu embora eu continuasse a pressionar meu rosto na curva do pescoço dele, agarrando sua camisa. Eu estava tanto tentando esconder as minhas lágrimas, avidamente sentindo o aroma dele, quanto tentando superar a sensação de choque e medo com o conhecimento de que não havíamos virado panqueca.
− Estamos bem. – a voz de Joe me despertou, me fazendo soltar um gemido estridente humilhante, então, senti sua mão no meu cabelo novamente. – apesar de que adoraríamos sair daqui, se não for muito trabalho para vocês. – eu ouvi uma risada seca do lado de fora do elevador.
− Cinco minutos e teremos estas portas abertas para vocês.
− Demi, você acha que consegue ficar de pé para mim? – os dedos de Joe estavam agora sob o meu queixo, erguendo meu rosto para encará-lo. Ele ainda sorria gentilmente para mim e em suas pupilas verdes, eu li toda sua preocupação.

Eu assenti, apesar de nunca ter sentido tanta vontade de não me mexer, e quando eu, ainda tremendo, soltei o tecido da camisa dele, Joe posicionou seu braço sob o meu me dando apoio para levantar. Ele se abaixou para pegar do chão minha bolsa, a pasta dele e seu paletó, e rapidamente, ainda que com cuidado, colocou o casaco sobre os meus ombros.
Eu entendi sua preocupação; olhando minha própria aparência no espelho eu pude ver uma jovem de grandes olhos castanhos, lágrimas marcadas em todo o rosto, com a ponta do nariz rosada de tanto chorar, e o corpo tremendo como uma folha ao vento. Um braço de Joe envolveu meu ombro assim que o paletó estava ajeitado sobre o meu corpo.
Nós ficamos de pé, em silencio, enquanto as portas eram abertas com esforço, e dois braços num uniforme de bombeiro imediatamente me puxaram para fora assim que houve espaço suficiente para que eu passasse. Eu vi, com uma nova sensação de choque, que havíamos descido até o andar das garagens antes que os freios de emergência fizessem seu trabalho. Atrás de mim, Joe fez passar nossas pastas e em seguida saiu de lá sem qualquer resistência. Era como se ele fizesse aquilo todos os dias.
Depois de quase trinta homens uniformizados diferentes terem me perguntado se eu estava bem, e eu lhes assegurei que sim, estava bem pra burro, eu fui esquecida na lateral da garagem, fora do foco de toda a confusão, enquanto Joe conversava com os seguranças do prédio, o chefe dos bombeiros, e algumas outras pessoas competentes no caso.
Àquela altura, eu já estava com frio, cansada, sentindo uma dor de cabeça surgir, e não queria nada além de ir pra casa, me curvar feito uma bola na cama e ligar para a minha mãe para sentir toda sua preocupação materna, ou passar a noite revivendo e analisando cada toque, cada olhar e cada palavra de Joe nesta noite.
Eu rapidamente me despi do paletó maravilhosamente perfumado de Joe, deixando-o com cuidado sobre a pasta dele, e furtivamente virei a esquina do prédio antes que algum outro bombeiro me perguntasse se eu estava bem. Minha picape estava estacionada onde eu a deixei, embora parecesse que havia se passado uma semana desde a última vez que a vi, e não apenas dez horas. As minhas mãos tremiam absurdamente, o que me tomou algum tempo até que eu conseguisse achar minhas chaves dentro da bolsa, depois da terceira tentativa. Levou ainda mais tempo para acertar a chave correta na fechadura e destravar a porta, mas eventualmente eu consegui fazer isso também. Assim que eu estava prestes a entrar, fui impedida ferozmente por um puxão no meu vestido.
− E onde é que você pensa que vai? – aquela voz de veludo murmurou no meu ouvido, não ajudando em nada a amenizar meu estado nervoso.

Eu virei para encará-lo, o que também não ajudou, e ergui minhas sobrancelhas numa expressão indignada.

− Hm... pra casa?" - perguntei para Joe, perplexa. Ele franziu o cenho em desaprovação para mim.
− Você realmente acha que vou te deixar dirigir até em casa nessas condições? – agora, eu estava confusa.
− Então você sugere que eu durma no escritório?

Joe revirou seus olhos, algo que eu nunca tinha o visto fazer, passou por mim e com facilidade fechou a porta da picape, pegou minha bolsa e chaves, e me afastou do carro.
Antes que eu tivesse tempo de ficar irritada, lisonjeada, ou ter qualquer outra reação, eu já estava parada na frente do Bentley dele.

− Eu vou te levar para casa. – ele disse então, numa voz que não deixava espaço para argumentações.

Joe curvou-se para abrir a porta do passageiro para mim, sorrindo torto quando seu rosto ficou muito perto do meu e acrescentou:

− E vou me certificar que você seja colocada para dormir apropriadamente.


7 comentários:

  1. Aaaah ta cada vez melhoor..
    colocar para dormi!? Hmm
    qndo posta mais?
    Beijoo

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    Respostas
    1. amanha vai ter maratona as 18:00 de 5 capítulos 1 a cada hora

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  2. PERFEITO!!
    posta maiis

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  3. posta maisssss esse momento foi fofo

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  4. Muito perfeito!!!! Será que essa pane no elevador foi causada pelos irmãos Jonas? kkkkkkkkkk
    E a maratona é hj né? Postaaaaaaaaaa logoooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!
    Carla

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  5. Aguardando ansiosamente por essa maratonaa...
    começa começa *-*-* hehehh
    -lili

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