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Beautiful Beginning 4ª Temporada - Capitulo 4

Beautiful Beginning - Capitulo 4

Eu mal conseguia abrir os olhos na manhã seguinte. O brilho forte do sol entrava através da varanda aberta, e a luz atingia a cama, esquentando minha pele. Eu podia sentir a maresia no ar e ouvir as ondas quebrando na praia. Podia sentir o calor do corpo de Demi ao meu lado. Nua. Ela murmurou algo em seu sono, passou uma perna sobre a minha e chegou mais perto. Os lençóis exalavam seu perfume, mas mais do que isso, exalavam seu aroma. Com um gemido, eu me soltei dela e cuidadosamente a virei para o outro lado. Coloquei meus pés no chão e me levantei, olhando para meu pau totalmente ereto e egoísta. Sério?, pensei. De novo? Tinha ido ao banheiro em duas ocasiões distintas na noite passada – antes e depois do showzinho da Demi. Mas mesmo assim, lá estava eu, duro como pedra. Demi disse que eu era brilhante por nos fazer esperar até sábado, quando na realidade eu estava começando a pensar que essa tinha sido a pior ideia que já tivera. Eu me sentia ansioso e com os nervos à flor da pele: parecia um insistente formigamento e uma necessidade de transar até me exaurir por inteiro. Sob circunstâncias normais eu cortaria minha mão direita antes de considerar sair de uma cama quente com a Demi nua. Mas as circunstâncias do momento não eram nada normais, e francamente, minha mão direita se provou muito valiosa nos últimos dias. Eu quase tinha cedido na noite passada, e nessa altura do campeonato, seria como me render ao inimigo. Eu precisava sair dali. Encontrei meu celular na sala de estar e digitei uma mensagem para Max. Preciso de uma corrida matinal. Topa? Sua resposta veio menos de um minuto depois. Com certeza. Vou chamar o Will e te encontro na piscina às 10h, certo? Beleza. Encontro vocês lá. Respondi, e joguei meu telefone no sofá. Eu tinha tempo para bater uma, tomar banho e escapar do quarto antes que Demi acordasse. – Max definitivamente transou na noite passada. Fiquei olhando para ele enquanto se aproximava da piscina, com o cabelo desarrumado e os membros relaxados. Seria fácil odiar esse cara se eu não estivesse tão feliz por ele. Certo, certo. Eu ainda o odeio um pouco. – Você parece muito satisfeito consigo mesmo – eu disse, sentando numa cadeira debaixo de um grande guarda-sol azul. – E você parece justamente o contrário – ele respondeu com um sorrisinho. – Está tendo problemas com sua virgindade? Eu suspirei, alonguei meu pescoço e senti a tensão que parecia atacar todos os meus
músculos. – Já é sábado? Max sacudiu a cabeça, rindo. – Ainda não. Estamos quase lá. – Onde está Will? – Ainda com Hanna, acho. Ele disse pra gente esperar e que desceria logo – Max sentou-se na minha frente e abaixou-se para amarrar os sapatos. – Bom, então vou aproveitar e falar com você sobre uma coisa. – O que foi? – Lembra quando Will contratou aquele palhaço esquisito para cantar no meu aniversário? – perguntei, sentindo um arrepio subir por minhas costas. Esse tipo de coisa se tornou comum entre nós três. Depois de ter acidentalmente contratado um travesti para Will em Las Vegas, ele retaliou enviando uns capangas que fingiam terem nos flagrado roubando nas cartas. A partir dali, as coisas apenas aumentaram. Demi insistia que era apenas questão de tempo até que um de nós acabasse no hospital ou na cadeia. Eu apostava que seria na cadeia. Max gemeu. – Merda. Achei que já tinha apagado aquilo da minha mente. Muito obrigado por me lembrar. Olhei para o hotel para ter certeza de que Will não tinha chegado. – Estou planejando uma retribuição. – Certo… – Por acaso você conheceu as tias da Demi ontem? – Aquelas que pareciam uma dupla de hienas circulando uma gazela indefesa? Sim, são duas senhoras adoráveis, se é que você me entende. – Sou parcialmente responsável por aquilo – disse, esperando por sua reação. Ele nem piscou. – Parcialmente? – Certo, certo, completamente. Ele sacudiu a cabeça tentando segurar uma risada. – Você não acha que elas têm alguma esperança real, não é? – Tive a impressão de que elas estão apenas querendo se divertir. Acabei dizendo que ele gostava de mulheres experientes e gostava de duas ao mesmo tempo. O que é verdade, diga-se de passagem. Max ergueu a sobrancelha. – Tecnicamente verdade – corrigi. – Eu vou pro inferno, não é? – Você avisou a Hanna? – Claro que sim – quando ele não abaixou a sobrancelha, eu o ignorei e continuei: – Bom, eu sugeri que ela fingisse não saber de nada. E ela concordou. – Só isso? Ela é mais fácil do que eu imaginava – ele respondeu. Que namorada concordaria com um plano tão maléfico? Claramente, Hanna era um gênio. – Precisei convencê-la um pouco de que ele não se machucaria, mas sim, ela concordou. A propósito, eu realmente gosto dela. – Eu também. – Então, o que você acha? Devo cancelar tudo? Para ser honesto, estou me sentindo meio
culpado desta vez. São as tias da Demi. Ouvimos passos e nós dois viramos a cabeça, encontrando Will vindo em nossa direção. Max aproximou o rosto rapidamente e sussurrou: – Se você contar eu te mato. – Havia alguns surfistas espalhados pela praia e alguns corredores passaram por nós quando saímos do hotel. – Então, por que você acordou tão cedo? – Max perguntou à minha direita, mantendo um ritmo constante comigo. Will, o corredor semiprofissional, já estava a vinte metros na nossa frente, gritando insultos sobre o ombro. – Foi só… tudo – admiti. – Acho que nunca estive tão exausto e ansioso ao mesmo tempo. Você provavelmente não quer ouvir isso, mas não sei se preferiria dormir ou transar por dez horas seguidas. Max deu um tapinha em meu ombro. – Sei como se sente – ele disse. – Sabe nada – eu retruquei, olhando para ele. Ele tentou não rir. – Desculpa, cara. Não quero tirar sarro da sua dor, e o que vou dizer agora provavelmente é mais do que você gostaria de ouvir… mas eu nunca olhei para a Sara desse jeito. Ela sempre… Como posso dizer? – ele coçou o queixo, pensando. – Ela sempre foi faminta. Mas agora que está grávida? Meu Deus. Eu mal consigo acompanhar. Fiquei com vontade de jogar ele no mar, mas admito que foi engraçado vê-lo escolhendo as palavras tão cuidadosamente. – Isso provavelmente foi a coisa menos articulada que já ouvi você dizer. – Pois é. – Estou realmente tentando não te odiar. – Então, fora o óbvio – Max disse, tentando soar sério. – Como estão as coisas? – Normais. Minha mãe envia mensagens a cada meia hora com suas preocupações. O pai da Demi nunca sabe onde precisa estar e a Julia precisa ficar sempre em cima dele. Bull está esperando a Demi decidir que precisa de uma última noitada. E eu provavelmente vou acabar me internando ao fim do dia. – E a Demi? – ele perguntou. – A Demi é a Demi. Ela é sexy, irritante e sempre me deixa na dúvida sobre o que está pensando. Eu achei que fosse estrangular ela ontem, mas acabamos conversando. Acho que finalmente chegamos a um acordo. – Parece ótimo – ele disse, mas eu não pude deixar de perceber que a resposta dele não foi sincera. – O que foi? – Nada. – Se você tem algo para dizer, Max, diga logo. Will percebeu que já não estávamos mais atrás dele, então voltou para nos encontrar. – E aí? – ele disse, usando a camiseta para limpar o suor da testa enquanto olhava para nós dois, claramente confuso. – Estamos falando sobre o Plano de Castidade – Max explicou.
– Ah, ótimo – Will disse, virando para me olhar. – Se me permite, esse embargo deve ser a coisa mais idiota que eu já ouvi. – Eu… – Concordo – Max interrompeu. – Entendo que tudo é um joguinho com vocês, mas quem viaja para a Califórnia para se casar, aluga uma maldita suíte na praia e depois não transa o tempo inteiro com a noiva? – Alguém estúpido – Will respondeu. Max me jogou um olhar fulminante. – Alguém idiota. – Alguém que é um constrangimento para a raça dos homens… – Eu sei, tá! – gritei, fazendo minha voz ecoar pela praia. – Eu sei que não faz sentido! Mas na hora que pensei, fazia. Pensei em fazer algo especial. Pensei em deixar a tensão aumentar. Eu queria que ela lembrasse o quanto foi divertido ficar irritada comigo. Eu queria que ela lembrasse que realmente existe apenas um homem que consegue lidar com ela, e que esse homem sou eu! Agora, parece a pior ideia na história das ideias. Mas agora já foi. Agora não posso voltar atrás. Meus dois amigos me olharam sem saber o que dizer. – Eu comecei com isso, agora preciso terminar. Estamos falando da Demi. Ela já tem uma das minhas bolas em sua mão, então ao menos me deixem ficar com a outra. Se eu transar com ela antes de sábado, ela vai pensar que possui as duas e que pode me controlar quando quiser. Ela vai querer que eu agradeça depois de chupar meu pau! Vai pensar que é ela quem está deixando eu dar uns tapas em sua bunda! Vai usar sapatos no trabalho que ninguém usaria nem num quarto! – retomei meu fôlego e baixei o tom de voz. – E então, vou passar o resto da vida tentando convencê-la de que ela é uma maldita cretina que precisa ser amarrada na cama e fodida até ela agradecer por minha existência. Limpei meu queixo e fechei os olhos, sentindo meu peito queimar. – Você realmente precisa transar – Will sussurrou. Max pousou a mão em meu ombro. – Ele está certo, cara. Isso é mais sério do que eu pensava. – Ah, cala boca – joguei sua mão para longe e comecei a andar na praia. – Pode ter sido um erro, mas vocês também estão ferrados. Se Demi vencer nesta semana, vocês também vão sofrer. Todos os homens no mundo vão sofrer como nunca antes sofreram. Eu não gosto disso, não planejei isso, mas é isso que está em jogo. Max sacudiu a cabeça, me acompanhando na caminhada. – Não é só você que precisa transar, Ben. Demi também não tem sido ela mesma nos últimos dias. Talvez sua estratégia esteja errada. Diminuí os passos até parar. – Do que você está falando? Você a viu na noite passada; ela estava agindo como uma grande cretina. Como isso não é “ela mesma”? – Todo esse negócio de casamento deixou mesmo você mais molenga se você pensa que aquela era a Demi sendo uma cretina – Max disse. – Vocês dois são as pessoas mais voláteis que eu já conheci. Tem dias que parece que estou assistindo a uma briga de desenho animado. E a Demi Lovato de quem ouvi histórias iria arrancar suas bolas e fazer você comê-las para conseguir o que ela quer. Ela amarraria você numa cadeira para te torturar até que você
implorasse para transar com ela. O que ela fez ontem? Usou um vestido curto? Balançou os peitos na sua direção? Essa é a mesma mulher que te chicoteava quando trabalhavam juntos? Nem de longe. – Mas… – comecei a falar, mas as palavras fugiam da minha boca. – Will, conte sua teoria nerd. Você vai gostar, Ben, é brilhante. Will se aproximou. – Sabe aquela coisa sobre a calmaria antes da tormenta? Aquele momento que antecede um tornado ou um furacão, quando tudo fica calmo? – Sei – eu disse, não gostando de onde isso estava indo e como isso se relacionava com Demi, mas, mesmo assim, curioso. – Continue. Will ficou com uma expressão intensa, como se o que estava prestes a dizer fosse a coisa mais fascinante que eu já tivesse ouvido. Ele meio que dobrou os joelhos, usando as mãos para gesticular para todo lado, dramaticamente ilustrando seus argumentos. – Então, o vapor e o calor sobem para a atmosfera, atraídos pelo centro da tempestade. As correntes de ar que sobem removem um pouco do ar saturado, forçando-o para cima, além das nuvens mais altas. Você está entendendo até aqui? – ele perguntou. Eu confirmei, sentindo uma ansiedade surgir em meu peito. – Ele está chegando na parte fascinante – Max observou. – Então, você tem todo aquele ar subindo, mas ele se comprime enquanto cai, tornando-se mais quente e mais seco. É a calmaria – ele disse, fazendo uma pausa dramática –, resultando numa massa de ar estável, favorecendo a formação das nuvens e deixando o ar totalmente parado. É a calmaria antes da tormenta. Max já estava assentindo e dando um tapinha nas costas do Will como se ele tivesse acabado de ter feito a analogia mais inteligente de todos os tempos. Eu franzi o rosto. – O que você está tentando dizer? Max chegou mais perto e envolveu meus ombros. – O que estamos dizendo, meu amigo, é que você pensa que está tudo sob controle. Mas todos nós estamos esperando para ver quando você vai explodir de vez. – Fiquei vigiando Demi como um gavião pelo resto do dia, e embora eu não quisesse admitir, Max e Will estavam certos. Ela nem tentou discutir ou me atacar quando voltei para o quarto, apenas foi ao banheiro e tomou banho sozinha. Quando beijei seu ombro nu, ela sorriu para mim, mas sem aquele olhar de quem vai me devorar mais tarde. Ela estava envolvida numa toalha, com a pele ainda úmida do banho enquanto secava o cabelo. Não comentou o fato de estar nua, não pediu “ajuda” para se vestir. Não pediu nem uma vez para que eu transasse com ela. Ela estava gentil e amorosa, e eu fiquei completamente confuso. Quando o garçom errou seu pedido no café da manhã, ela não reagiu. Quando suas tias insistiram em segui-la por todo lado com uma câmera, ela se manteve calma. Quando minha mãe sugeriu que ela usasse o cabelo solto na cerimônia em vez de preso para cima, Demi apenas respondeu com um sorriso forçado. Nessa altura eu podia praticamente sentir o cheiro de tempestade no ar, e o ensaio nem tinha começado.
– – Como assim “um pequeno acidente”? – perguntei, olhando para a coordenadora do casamento antes de olhar rapidamente para Demi. Ela estava na praia a uns dez metros, andando de um lado a outro. Alguns palavrões ecoaram até nós, mas agora ela estava estranhamente em silêncio, com os braços cruzados sobre o peito enquanto andava nervosamente na areia. Franzi o cenho, mas logo voltei minha atenção para nossa coordenadora, a Kristin, quando ela tentou se explicar. – Vai dar tudo certo, Joe – ela dizia, com palavras que deveriam me acalmar, mas apenas me irritavam ainda mais. Quando as coisas não dão certo, você grita com alguém. Você deixa bem claro que espera nada menos do que a perfeição. Você bate portas e demite pessoas. Você não fica parada com seu blazer azul dizendo para a noiva robô e o noivo bobão que vai dar tudo certo. – Aconteceu um probleminha com as roupas do casamento. Um pequeno acidente. Um probleminha. Esses adjetivos não descreviam direito o medo que começou a subir por minha garganta. – As roupas foram entregues hoje de manhã, mas quando abrimos os pacotes, percebemos que houve algum problema de comunicação e nada estava passado. É uma coisa pequena, Joe. Eu nem incomodaria você se a própria Demi não tivesse visto. Então Demi já tinha visto os pacotes de roupas amassadas e mesmo assim não tinha explodido. Eu suspirei e olhei para a praia, onde alguns bancos foram colocados para servir de descanso temporário aos convidados. As tias de Demi estavam sentadas uma de cada lado do Will, que estava com as mãos dobradas no colo e parecia… tenso. Na verdade, parecia que estava prestes a sair correndo. Hanna estava conversando com Dani, mas ocasionalmente olhava para Will, e seu pequeno sorriso aumentava quando fazia isso. Ela seria uma excelente aliada no futuro. Max e Sara estavam… em algum lugar. Revirei meus olhos quando percebi que eles ainda nem tinham descido do quarto. Maldito. Minha família estava conversando e esperando o ensaio começar. – Então, e agora? – eu perguntei. Kristin sorriu. – Já enviamos tudo para a lavanderia para deixarem pronto amanhã de manhã. Eles prometeram entregar antes da uma hora. – O casamento começa às quatro – eu disse, passando a mão em meus cabelos. – Você não acha meio apertado? – Não deveria… – Isso não é bom o bastante – eu a interrompi. – Eu mesmo vou buscar. – Mas… Meu irmão ouviu tudo e pousou a mão no ombro da Kristin. – Apenas aceite – Kevin disse. – É mais fácil assim, acredite. – O resto dos convidados chegou e eu fui buscar Demi. Ela havia parado de andar nervosamente e estava agora sentada num banco com os pés enterrados na areia. – Está pronta para o ensaio? – eu perguntei, testando seu humor. Ofereci meu braço e a
ajudei a se levantar, tomando sua mão quando começamos a andar em direção aos outros. – Você está silenciosa demais. Demi sacudiu a cabeça. – Estou bem – ela disse simplesmente, depois se dirigiu para onde Kristin indicou. Então tá. Olhei para o céu, esperando ver nuvens se formando acima de nós. O que sempre me deixava maluco com Demi era que eu não conseguia ignorá-la, estivesse ela no mesmo espaço que eu ou não. Sempre foi assim desde o dia em que nos conhecemos. Eu a desejava a cada segundo de cada dia, e isso me irritava demais. Eu soltava os cachorros para cima dela para me distrair e ela cuspia tudo de volta. Isso apenas aumentava meu desejo por ela. Sempre. Mesmo agora, de pé em lados opostos do altar enquanto ouvíamos o ministro Adam Marsters explicando nossas posições, eu não conseguia tirar os olhos dela. – Joe? – ouvi alguém me chamar e então olhei ao redor, surpreso ao perceber que todos estavam olhando para mim e esperando minha reação. O som da risada do Max soou pelo salão e eu mentalmente mandei ele se ferrar. – Você está pronto? – Kristin disse, lentamente, perguntando pela segunda vez. Franzi meu rosto, irritado comigo mesmo por ter me distraído. Eu tinha certeza de que era importante saber o que diabos estava acontecendo. – É claro. – Certo. E vocês? – Kristin perguntou. – Os convidados poderiam formar uma fila, por favor? Um murmúrio nos envolveu e viramos para observar enquanto todos se dirigiam para seus lugares no começo do corredor. Kevin, o primeiro padrinho, ficou na frente, oferecendo o braço para Sara. – Certo, pessoal – Kristin anunciou –, vou explicar como vai ser. Eles puxarão cada um uma fila deste lado do jardim. As cadeiras vão começar aqui – ela disse, andando pelo corredor e gesticulando para um lugar perto da grama –, e continuarão até chegar na praia. Serão aproximadamente trezentas e cinquenta cadeiras – Kristin puxou Kevin e Sara e os posicionou. – Certo, agora a próxima madrinha e padrinho? Julia deu um passo para frente, e Max e Will fizeram o mesmo. Max olhou feio para o Will e agarrou o braço da Julia. – Esta adorável senhorita é minha, cara. – Mas eu pensei que… Onde está a minha madrinha? – Estou aqui, bonitão – olhei para trás do Will e lá estava nossa quarta madrinha: George, o assistente da Sara. Ele entrou na fila e agarrou o braço do Will. – Você deve estar brincando – Will disse, depois quase pulou quando uma das tias da Demi passou por ele e beliscou sua bunda. – Pelo jeito você vai ter duas oponentes de peso – Max disse para George. – Aquelas duas não vão deixar barato se você roubar a presa delas. – Ah, não – George disse. – Aquelas duas tiazonas que se cuidem, pois até que o gostosão e a rainha do gelo se casem, o Will aqui vai ser só meu. – E meu também – Dani disse, tomando o outro braço do Will. – Este sortudo vai ficar com nós duas. George sorriu para Dani.
– Você está disposta a se comportar mal? Dani deu uma piscadela. – A cada segundo de cada dia. Demi se virou para a Kristin. – Podemos colocar um bar no altar. Só pra mim? – O que está acontecendo por aqui? – Will disse, olhando para cada um de nós e depois para as duas tias. – Por acaso eu estou bêbado? Hanna, elas acabaram de beliscar minha bunda, e esse cara aqui – ele gesticulou para o George – quer me levar para casa depois da festa. Eu preciso de ajuda! Hanna tomou um gole de sua bebida de mulherzinha, completada com um minúsculo guardachuva cor-de-rosa. – Não sei, para mim parece que você está se dando muito bem aí em cima – ela disse, depois tomou outro grande gole com o canudinho. Hanna não era de beber muito; eu podia apostar com qualquer um que logo ela estaria dormindo de cara na areia. – Meu Deus, na verdade, vocês é que devem estar bêbados – Will resmungou, enlaçando o braço de George. – E não tente conduzir – ele disse, depois ofereceu o outro braço para a Dani. – Agora que isso está resolvido – Kristin disse com um suspiro –, os outros podem formar a fila. – Os convidados tomaram seus lugares e, finalmente, prestaram atenção em silêncio. – Certo, ótimo. Demi, você começa aqui atrás. Onde está o pai da noiva? Eddie tomou seu lugar ao lado de Demi e a cerimônia continuou. Graças a Deus tudo que eu precisava fazer era conduzir minha mãe até seu lugar, pois tudo parecia muito complicado, e os peitos de Demi estavam demais com aquele vestido rosa. Quando minha noiva finalmente alcançou o altar, eu tomei suas mãos e nós viramos para o ministro, aquele velhinho quase senil de cabelos brancos e olhos azuis que mal parecia nos enxergar. Demi estava estranhamente quieta, prestando atenção e respondendo quando era preciso, mas nada além disso. Parte de mim estava começando a se preocupar que isso fosse mais do que nervosismo antes do casamento. Decidi chamá-la de lado quando tudo acabasse, mas então o ministro disse: – E então vou pronunciar vocês Sr. e Sra. Jonas, daí o Joe… Observei a Demi levantar a cabeça de repente como se tivesse ouvido algo errado. – O que você disse? – ela perguntou, esperando atentamente, e por um momento eu pensei: Sim, aí está aquele fogo, a mulher de quem Max estava falando hoje de manhã. E então entendi o que o ministro disse que a irritou tanto. Lá vamos nós, pensei. – Que parte, senhorita? – ele perguntou, passando os dedos em seu livro gasto, tentando encontrar alguma frase que tivesse pulado ou lido errado, algo que pudesse causar aquela resposta imediata. – Você disse “senhor e senhora Jonas”? – ela esclareceu. – Ele permanece um homem, mas eu serei sempre conhecida como algo que pertence a ele? Eu vou perder minha identidade e existir apenas com a esposa de alguém? Ouvi a voz de Max por cima de uma onda de murmúrios. – Mais alguém está sentindo cheiro de chuva? O ministro estendeu o braço e tocou o ombro de Demi, exibindo um sorriso paternal.
– Eu entendo, minha querida… – ele disse, virando os olhos para mim como se estivesse pedindo ajuda. – Não foram essas palavras que você pediu, Joe? Ela girou a cabeça na minha direção com um olhar fulminante. – Como é? – Demi – eu disse, apertando sua mão. – Eu entendo o que você está dizendo e podemos mudar isso. Eles me perguntaram se eu tinha alguma preferência na cerimônia, e eu apenas… Ela deu um passo para trás, sacudindo a cabeça como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo. – Você?! – ela gritou com a voz mais exagerada possível, e fiquei até um pouco impressionado em ver tanta raiva e irritação numa única palavra. – Você disse isso para ele? Essas são palavras que você escolheu? – Eu não escolhi essa frase especificamente – eu disse, horrorizado, mas ao mesmo tempo um pouco excitado com sua respiração furiosa. – Mas essa parte estava na… – Eu não preciso que você me explique nada. Ele está lendo um livro arcaico que promove essa ideia idiota de propriedade patriarcal. Uma versão que você escolheu. Foda-se isso. Eu não fiz faculdade, e pós-graduação, e um estágio enquanto aguentava sua cretinice apenas para depois perder minha identidade e ser conhecida como uma esposinha. E outra coisa – ela disse, tomando fôlego e virando para Kristin, que estava congelada. – Que tipo de lavanderia de quinta entrega milhares de dólares em vestidos e ternos como se tivessem passado por um moedor de carne? Excitação, luxúria e raiva embaçaram os limites da minha visão. – Que diabos você quer dizer com minha cretinice? Se você não fosse uma maldita garota mimada e egocêntrica que acha que o mundo inteiro gira em torno de você talvez eu fosse um chefe mais agradável. – Isso é piada, né? E você preferia que eu fosse uma idiota submissa que traz o seu café e bolinhos e finge que você não fica olhando direto pros meus peitos? – Quem sabe eu não olharia tanto pros seus peitos se você não ficasse em cima de mim a toda hora. – Quem sabe eu não ficaria tanto em cima de você se você não me chamasse para aquele seu maldito escritório do inferno pra qualquer coisinha. “Srta. Lovato, eu não consigo ler sua caligrafia no relatório. Srta. Lovato, eu pedi especificamente que os documentos estivessem em ordem alfabética. Srta. Lovato, eu derrubei minha caneta no chão, venha até aqui e fique de quatro porque eu sou um maldito pervertido!” – Eu nunca disse pra você ficar de quatro! Ela se aproximou e apontou o dedo para mim. – Mas você pensou. Com certeza, isso eu admito. – Também pensei em despedir você umas setecentas vezes. Espero ter tomado a decisão certa por não ter ouvido meus instintos. – Você é um filho da mãe muito egocêntrico. – E você ainda é uma cretina pé no saco! – eu gritei de volta. E por Deus, isto era tão familiar e tão bom, era exatamente do que nós precisávamos. Eu queria jogá-la no chão e rasgar suas roupas para poder morder e marcar toda sua pele. Segurei seus cabelos e ela deu um tapa em minha mão, depois agarrou minha camisa e me

puxou, beijando muito forte e com mais língua do que seria apropriado, considerando onde estávamos. Um fato que apenas me lembrei quando ouvi o burburinho ao nosso redor. – Meu Deus – ouvi alguém dizer. – Eu acho… acho que eles se estressaram muito nas últimas semanas – minha mãe murmurou. – Nossa, isso é muito constrangedor – outra pessoa disse. – Eles vão transar lá em cima ou…? – esse com certeza foi o George. – Quem apostou que seria hoje? – Kevin perguntou. – Will? Foi você? A essa altura, Demi já havia me jogado no chão e estava subindo em cima de mim. – Certo, certo! – a voz do meu pai cortou o salão e eu me apoiei num joelho, tentando tirar minhas mãos dos cabelos de Demi e as mãos dela do meu cinto. – Acho que já está bom de ensaio. Kristin? Você pode chamar os carros lá para frente? Já está na hora do jantar do ensaio. Ei, todo mundo, vamos embora!

Beautiful Beginning 4ª Temporada - Capitulo 3



 Beautiful Beginning - Capitulo 3

Ele não cedeu e não me comeu até dizer chega na noite anterior. Na verdade, ele teve a audácia de tomar um remédio para apagar. Claramente estava na hora de jogar pesado. Passei a maior parte do jantar da noite passada assistindo ao Joe ser adoravelmente endiabrado ao jogar minhas tias na direção de Will. Assisti a ele ficar enciumado e irritado quando Bull me encheu de histórias sobre quantos carros ele vendera e quantas mulheres comera. Assisti ao Joe com adoração enquanto ele cumprimentava sua família, esperava o prato de sua mãe chegar antes de começar a comer, agradecia pessoalmente o garçom e se levantava quando eu me levantava para ir ao banheiro. Joe Jonas era um cretino, mas era um cretino encantador, e naquele dia – com ou sem essa estúpida abstinência – eu iria cavalgálo como uma amazona. Eu tinha uma mala cheia de lingerie e roupas que com certeza o deixariam aos meus pés. Eu estava reservando as peças mais provocantes para nossa lua de mel, mas eu suspeitava que nem precisaríamos de roupas quando chegássemos ao resort em Fiji. De certa maneira, era legal ter uma nova missão. Ao invés de me estressar com os parentes e com o caos em que estávamos mergulhando, eu podia me concentrar no fato de que Joe realmente precisava me comer algumas vezes por dia. Era um objetivo simples, na verdade. Eu não podia controlar o humor ou a insanidade de nossas famílias, mas eu podia definitivamente controlar o pau desse homem. Will havia nomeado esta noite como a “Última Noite de Liberdade”. Apesar de ser quintafeira e o casamento ser apenas no sábado, ele declarara que o ensaio na sexta-feira selaria o destino de Joe como um homem casado, então ele e Max planejaram uma noite para os amigos no bairro de Gaslamp Quarter. Iríamos a alguns bares, tomaríamos uns drinques. Max descreveu assim: “Hoje vamos nos embebedar direito e fingir que Demi não nos entregou uma lista de tarefas de cinco metros”. Mandei os homens se arrumarem em nossa suíte, e as garotas – Sara, Hanna, minha amiga de infância Julia, minha quase cunhada Dani e eu – foram se arrumar no quarto da Julia. Fiz isso em parte para ter um tempo com minhas amigas antes de sairmos todos juntos, mas também para que Joe não me visse até que chegássemos ao bar. Se ele visse o que eu queria usar, ele me amarraria na cama com as fitas dos meus sapatos e trocaria minhas roupas por mim. Se pelo menos ele me amarrasse para me comer, eu me arrumaria sem problemas na suíte nupcial ao lado dele. Mas eu conhecia Joe, e sabia o quanto ele ficava determinado uma vez que tomava uma decisão. Eu precisava atacar sorrateiramente. Eu precisava seduzir meu noivo, e para fazer isso, eu precisava jogar sujo. Julia e Dani estavam trabalhando no zíper quebrado de Hanna, e eu me sentei na cama da Julia e cuidadosamente amarrei as fitas do meu sapato de salto alto que subiam pela perna. Os sapatos da noite passada funcionaram bem, mas obviamente não bem o suficiente. Para aquela noite eu tinha escolhido um vestidinho preto, brincos brilhantes e os mesmos sapatos que tinha usado na noite em que saímos para dançar quando Joe e eu estivemos aqui em San Diego
juntos para a conferência da JT Miller no começo de nossa “relação”. Amarrei a fita de cetim atrás da batata da perna e fiquei lembrando daquela noite e do estado em que Joe estava quando entrei no saguão do hotel nas primeiras horas da manhã e o encontrei sentado num sofá, me esperando. Seu cabelo estava um desastre, e eu sabia, sem precisar perguntar, que ele esteve quase arrancando os fios. Pensando agora, era óbvio que estávamos apaixonados já naquela época, mas eu me lembro do quanto fiquei surpresa quando ele admitiu que precisava de outra noite comigo. Eu queria isso mais do que qualquer coisa, mas nunca esperei que ele pedisse tão abertamente. Eu o segui até meu quarto e nós fizemos amor por horas, trocando palavras sobre histórias reais, desejos reais, sentimentos reais. A partir dali, nossa relação chegou a um ápice – ele ficou doente e eu precisei assumir uma reunião sozinha, e fiz isso muito bem. Quando ele se recuperou, nós decidimos ficar juntos, como um casal, sem nos esconder mais. – Chlo? – Sara disse, abaixando a cabeça para encontrar meus olhos e me arrancando de meus pensamentos. – Você está bem? Comecei a me concentrar no outro sapato e assenti. – Sim, estava só me lembrando de quando eu e Joe estivemos aqui pela primeira vez. Ela se sentou e colocou o braço sobre meus ombros. – Você acha estranho se casar aqui? Encolhendo os ombros, admiti: – Um pouco. Temos muitas lembranças aqui, umas boas, outras nem tanto. – Quando você descobriu que o amava? Fechei os olhos e me encostei nela enquanto pensava na resposta. – Acho que eu provavelmente senti amor por ele antes de saber que o amava. Mas, você lembra quando nós estivemos aqui para a conferência e ele ficou com intoxicação alimentar? Ao meu lado, Sara assentiu. – Bom, depois de fazer a apresentação do Gugliotti e voltar para contar ao Joe, eu desci para a conferência e deixei ele descansar. Quando voltei para meu quarto, Joe estava sentado no sofá. Ele sempre estava bonito, é claro – eu disse, rindo quando Julia mexeu as sobrancelhas para mim –, mas naquela hora ele parecia um cara comum. Estava sem camisa e com os cabelos despenteados. Estava assistindo à TV com a mão dentro da cueca. E tive a epifania de que ele era um cara comum, e que estava se transformando no meu cara comum, entende? – ao meu redor, todas as minha amigas assentiram. – Acho que esses são os momentos em que eu mais o amo, quando olho para ele e enxergo muito mais do que um cretino irresistível. Às vezes ele ainda parece inatingível e intimidador, até mesmo para mim. Não me entendam mal, eu também amo esse lado. Mas quando estamos sozinhos ele baixa a guarda e eu posso ver todos os seus lados, e aquele dia foi a primeira vez que isso aconteceu. Acho que foi então que descobri que eu o amava. – Acho que foi antes disso – Dani disse, vasculhando o frigobar. – Eu vi seu rosto quando flagrei vocês no banheiro da casa dos pais dele. Joe disse que ficar com você foi um erro. A sua reação foi a de uma mulher com emoções. Franzi o nariz, considerando isso. – Deus, mas ele era um filho da mãe tão grande naquela época. – Ele ainda é um filho da mãe – Dani me lembrou. – E tenho certeza de que se não fosse
mais, você encontraria um jeito de irritá-lo até ele voltar a ser. – Eu gosto de assistir a vocês dois – Hanna disse. – Nunca vi um casal assim. É sério, aposto que o sexo é surreal. Hanna passava tanto tempo com a gente que sua honestidade brutal já nem surpreendia mais… exceto a Dani, que ainda não a conhecia. – Não preciso ouvir isso – Dani cobriu as orelhas. – De novo. Hanna estava linda usando um vestido cinza que chegava até acima dos joelhos. Julia havia prendido o cabelo de Hanna num penteado complicado, e seu pescoço, longo e liso, estava decorado simplesmente com um pequeno pingente de diamante. Eu mal esperava para ver a cara do Will quando a visse. – Você precisa me deixar pedir todas as bebidas hoje – Sara disse, levantando-se e ajeitando seu brilhante vestido azul que cobria sua imensa barriga de grávida. – Juro pode Deus, quero só ver a cara do barman quando eu pedir dez doses de tequila. – A gravidez combina muito bem com você, Sara – Julia disse, cruzando o quarto para apanhar seus sapatos. Ela sentou na beira da cama e os calçou, ainda olhando para Sara. – Gostei da barriga e da atitude. – Concordo – disse. – Ela está se tornando uma gata ferina. Sara riu e estudou seu reflexo no espelho antes de se aproximar de mim para que eu fechasse seu colar. – Eu realmente adoro meu corpo desse jeito. Isso é estranho? Adoro minhas novas curvas. – O alfaiate com certeza não gostou – Julia acrescentou, rindo. – Ainda não acredito no escarcéu que ele fez quando descobriu que teria que alterar o vestido dela. Eu gemi. O vestido. Julia havia encontrado os mais perfeitos vestidos de madrinha que eu já tinha visto. Tinham uma coloração linda em degradê que começava no azul Tiffany que combinava com a decoração do casamento e terminava num belo azul-marinho. Os vestidos foram feitos com chiffon cravejado e tinham uma delicada alça presa em um dos ombros, mas o vestido de Sara, claro, teve que ser alterado para acomodar sua nova barriga. Etienne, o estilista, surtou. Ele fez um discurso sobre simetria, tecidos, linhas. Depois de muita reclamação dele, muito dinheiro meu e seis alterações depois, o vestido finalmente ficou pronto. E eu mal podia esperar para ver minha linda e rechonchuda madrinha. – Aposto que o Max também gosta do seu corpo atual – Dani disse, sorrindo para Sara. – Ah, gosta sim – eu respondi por ela, fechando o colar atrás do pescoço de Sara. – Às vezes sinto que estou assistindo algo indecente só de ver ele servir água para ela. O rosto de Sara ficou vermelho e eu ri, amando o jeito como a gravidez deixava impossível esconder seu rubor. – Estamos prontas para sair? – Julia perguntou, tomando o resto de sua tônica e vodca do frigobar. – Já está na hora de começar a beber. Nós nos dirigimos para a porta e saímos uma de cada vez. No saguão, Dani pediu para o manobrista chamar um carro para nós, e quando entrei no veículo e fechei a porta, vi os rapazes surgirem no saguão do hotel. – Meu Deus, Demi – Julia disse, olhando para Joe, na frente do grupo. – Olhe aquele homem. Mordendo o lábio, eu pude apenas balançar a cabeça para concordar. Como sempre, seus cabelos estavam desarrumados com aquele célebre jeito de quem acabou de transar. Ele
estava rindo de algo que o Will dissera, e quando ergueu o queixo para chamar o manobrista, pude ver a linha perfeita de seu maxilar. Ele vestia jeans e uma camiseta preta que não era apertada, mas mesmo assim delineava o corpo definido debaixo do suave tecido de algodão. Eu conhecia essa camiseta muito bem; eu a havia comprado para ele pensando em roubá-la para mim quando ele a deixasse no perfeito estado de desgaste que eu tanto adorava. Seduzi-lo hoje seria muito divertido. Minhas pernas estavam escondidas de sua vista, e tudo que Joe podia ver era a parte de cima do meu vestido preto. – Você está encrencada demais – Sara murmurou ao meu lado, olhando para meus sapatos. – Quero só ver a reação dele. – É verdade! – eu disse, rindo. A sobrancelha do Joe se ergueu numa pergunta silenciosa e eu acenei para ele: não, nós não iríamos esperar por eles. – Encontramos vocês no Sidebar! – Julia gritou pela janela, e Joe acenou de volta, exibindo seu sorrisinho patenteado.
O Sidebar era incrível, com grandes poltronas de couro vermelho e preto, espelhos enormes e fotos sensuais de pessoas nuas penduradas nas paredes, além de grandes gaiolas penduradas no teto. O bar principal era espaçoso, cheio de mármore brilhante com um simples padrão decorando a frente. Quando chegamos, o local estava cheio, mas não lotado, e imediatamente pedimos duas grandes mesas aos fundos. Os rapazes não chegaram tão rápido quanto nós, então tivemos tempo de pedir bebidas e voltar para nossa mesa antes de eles chegarem. Olhei para a porta bem quando Joe entrou conduzindo o grupo formado por Max, Will, Kevin e os primos de Joe, Chris e Brian. Quando eu me levantei para recebê-los, e o Joe pôde me olhar de cima a baixo, desde meus lábios vermelhos até as unhas dos pés, soube que estava muito, muito encrencada. Ignorei seu olhar da melhor maneira que consegui, mas com ele isso era quase impossível. Sua atenção era quase uma presença física, um peso em meu pescoço, meus seios, e principalmente, em minhas pernas expostas. Nós nos levantamos quando eles se aproximaram, e eu senti um aperto em meu peito e meu coração acelerou diante da diversão que era reunir a todos. Beijei Brian, Will e Max, e cumprimentei o Bull com um breve e educado abraço. Foi só então que olhei Joe com mais calma, e senti o familiar calor se espalhar em meu estômago e descer entre minhas pernas. Apoiando na ponta dos pés, beijei o canto de sua boca. – Oi. Você está tão gostoso que dá vontade de lamber. Ele retribuiu meu beijo de um jeito sério, depois falou em meu ouvido: – Que diabos você está vestindo? Olhando para baixo, eu passei a mão sobre meu vestidinho apertado. – É novo. Você gostou? Antes que eu pudesse olhar para cima para ouvir sua resposta, Joe agarrou meu braço e me puxou para um corredor escuro, onde me apertou contra a parede. Mesmo sob a luz fraca, eu podia ver a fúria e o desejo em seu rosto. Era meu Joe favorito. Eu também fiquei excitada; cada pedaço da minha pele ansiava por sentir o toque bruto de seus dedos.
– O que você acha que está fazendo? – ele rosnou. – Você poderia ser mais específico? Eu estou tomando uma bebida, saindo com os amigos, estou… Ele agarrou meus ombros com as mãos. Soltei um gemido contido, e ele cerrou os olhos ainda mais. – Os sapatos, Demi. Explique os malditos sapatos. – Eles são especiais para mim – disse, lentamente baixando meus olhos até sua boca. Lambi meus lábios e ele chegou ainda mais perto. – Uma peça nova, uma peça velha. Usei esses sapatos quando estivemos juntos aqui em San Diego, lembra? Como eu desconfiava, seu rosto se tornou impossivelmente mais faminto. – É claro que eu lembro. E o “uma peça nova, uma peça velha” é uma tradição apenas para o casamento, não para a semana anterior, quando eu estou tentando manter minhas mãos longe de você. – Estou praticando – eu disse, quase sem fôlego. – Na verdade, tem muitas outras coisas que eu gostaria de praticar antes do casamento, Joe. Tipo, fazer um “garganta profunda”. – Você está realmente tentando me enlouquecer? Sacudi a cabeça com grandes olhos inocentes, mas disse: – Sim. Realmente estou. Ele soltou um pouco meus ombros e encostou sua testa na minha. – Demi… Você sabe o quanto eu quero você em cada segundo. – Eu também quero você. Então, pensei que talvez mais tarde nós pudéssemos voltar para o hotel e eu não tiraria os sapatos, o que você acha? Você poderia me comer deitada de costas, com as pernas para o ar… – virei o rosto e beijei a ponta de sua orelha. – Além disso, estou usando um corselete incrível por baixo do vestido… Joe se afastou e virou, praticamente fugindo do corredor. Aproveitei a oportunidade para passar no banheiro e checar minha maquiagem, além de cumprimentar a mim mesma no espelho pela batalha ganha. Mas meu Martini estava esperando e eu estava no meio da missão de seduzir meu noivo, então não demorei muito. Joe parecia mais calmo quando voltei para a mesa, e estava sentado com Max e Will enquanto os outros homens pediam suas bebidas no bar e as garotas dançavam na pista. O braço de Joe estava apoiado no encosto e eu deslizei ao seu lado, correndo minha mão de seus joelhos até a coxa. – Oi – eu disse de novo. – Está se divertindo? Ele me jogou um olhar que causaria danos a um adversário menos preparado, mas eu apenas sorri, beijando seu pescoço e sussurrando: – Mal posso esperar para você gozar na minha boca mais tarde. Ele tossiu, praticamente derramando seu gimlet de vodca na mesa e recebendo olhares curiosos do Will e do Max. – Tudo certo aí, Joe? – Will perguntou, sorrindo maliciosamente. Será que Joe tinha contado sobre essa história de abstinência? Eu esperava que sim; ninguém ficaria mais feliz em me ajudar do que Will e Max. – Só engasguei um pouco – Joe explicou. – Eu ainda estou ensinado a ele como não engasgar – eu disse num sussurro, e os dois explodiram numa gargalhada. Will até se inclinou para me cumprimentar. – Ele contou a vocês
sobre sua nova virgindade? – perguntei. – Ele mencionou que está desfrutando do esporte de deixar você esperando – Max disse. – Mas só para constar, Demi, eu gostaria de dizer que seus sapatos são realmente bonitos. – Eu concordo! – disse, sorrindo para meu noivo. A mesa era grande o bastante para acomodar várias pessoas, e após pedirem suas bebidas, Brian e Bull se juntaram a nós. Ficamos alguns momentos em silêncio enquanto bebericávamos os drinques, e Max e eu trocamos um sorriso divertido quando ouvimos Sara tagarelar do outro lado do salão. – Essa é a sua garota – eu disse. Ele ergueu sua bebida como se estivesse brindando, e com o rosto corado, murmurou: – Com certeza. Olhei para Sara e ri. – Na verdade, é a sua garota com um barrigão… trazendo uma bandeja de drinques. Ele a avistou e soltou um gemido, levantando-se para encontrá-la no caminho. Enquanto se distanciava, conseguimos ouvi-lo dizendo: – Sara, meu amor, isso é pesado demais… – Ele parece o cachorrinho dela – Will murmurou. – Não comece, Sumner – Joe disse, sacudindo a cabeça. – Você mal consegue manter a língua dentro da boca quando está perto da Hanna. Will encolheu os ombros e se recostou na cadeira, sem nem tentar esconder a maneira como olhou para sua namorada e estudou cada centímetro de suas pernas expostas. Olhei para cada um dos homens da mesa e fiquei pensando se estavam em silêncio porque queriam que eu fosse embora para poderem conversar sobre assuntos de homens, como pênis, basquete e banheiros. Mas eu estava muito confortável, e o peso do braço do Joe sobre meu ombro estava perfeito demais para eu sair dali. Eu só me moveria para pular em seu colo e rebolar um pouquinho. Comecei a executar essa ideia brilhante, mas ele me impediu apertando meu ombro. – Não se atreva. – Você está duro? – eu perguntei em seu ouvido. Ele me deu um olhar. – Não. Eu lambi meus lábios e senti meu coração acelerar quando seus olhos desceram para minha boca e ele aproximou o rosto. – E agora? – Você é impossível, mulher – ele se afastou, apanhando seu drinque. Um grande rosto de mulher tatuado no braço do Bull chamou a minha atenção e eu me encostei em Joe novamente, mas outra vez ele se afastou. – Não, vem aqui – eu disse, puxando sua camiseta. – Quero perguntar uma coisa. Juro que não vou lamber sua orelha – ele aproximou o rosto relutantemente. – Quem é aquela no braço do Bull? Ele olhou por um segundo antes de responder num sussurro: – Acho que é a namorada dele, ou ex-namorada. Maisie. Eles estão sempre terminando e reatando desde a adolescência. Pensei um pouco enquanto absorvia a informação: Bull poderia estar namorando e ao
mesmo tempo dando em cima de todas as mulheres do casamento. – Você está brincando? – Não mesmo. Tentei parecer o mais casual que podia: a última coisa que queria era chamar a atenção do Bull e o fazer pensar que estava interessada nele. Mas a tatuagem era enorme, praticamente do tamanho da minha mão, e incrivelmente detalhada. No jantar da noite anterior ela havia ficado escondida debaixo de sua camisa, mas agora o desenho inteiro estava visível, com todas as cores. Era, basicamente, o rosto e o pescoço da tal Maisie, parando bem onde os seios começavam. Virando de volta para Joe, sussurrei: – Meu Deus. Ela deve ser incrível na cama. Eu sei chupar um pau, mas ninguém nunca tatuou meu rosto. Joe congelou, parando a mão no ar quando ia pegar sua bebida. – Calma, eu não quero que você tatue o meu rosto no seu braço, Sr. Jonas. Ele suspirou pesadamente, trazendo o copo aos lábios e dizendo: – Ótimo. – Mas eu gostaria de chupar seu pau tão forte que você prometeria fazer uma mesmo assim – eu disse enquanto ele colocava a mão nas minhas costas e me empurrava para fora da mesa, mandando eu ir brincar um pouco com minhas amigas. Nós dançamos e bebemos; Hanna e Dani dançavam de um jeito muito engraçado e nós rimos muito até nossas barrigas doerem. Foi uma noite perfeita: no bar com todas as minhas pessoas favoritas, cercada por minhas amigas enquanto o amor da minha vida exalava seu intenso amor e ódio por mim. Max e Will estavam ao meu lado nessa coisa ridícula de abstinência e por isso vieram dançar comigo, provocando, me levantando e me carregando até Joe para trocarmos um beijo de ponta-cabeça, cheio de segundas intenções. – Eu amo você de qualquer maneira – disse quando Joe me olhou feio. – E vou pegar você de jeito hoje. Ele sacudiu a cabeça e soltou o sorriso que estava tentando esconder. – Eu também te amo de qualquer maneira. E você pode tentar o seu melhor, mas não vai funcionar. Você não vai ter o meu pau até que estejamos casados.
Escovamos os dentes lado a lado e estudamos um ao outro pelo espelho. Eu estava usando um roupão grosso sobre minhas armas de sedução em massa, mas Joe estava apenas de cueca, então fiquei um tempo apreciando seu torso nu. Eu adorava seus mamilos de homem, os pelos no peito e a definição de seus ombros, peitoral, estômago. Depois fiquei olhando o caminho de pelos que descia de seu umbigo até desaparecer debaixo da cueca. Eu queria lamber aquela linha e depois sentir o sabor da pele suave de seu pau. – Você tomou outro remédio para dormir? Ele sacudiu a cabeça enquanto escovava os dentes de trás. – Eu gosto do seu corpo – disse, com a escova de dentes na boca. Ele abriu um sorriso cheio de pasta de dente. – Igualmente
– Posso chupar você? Ele se abaixou para cuspir e enxaguar a boca antes de simplesmente responder:. – Não. – Quer me comer rapidinho por trás? Joe secou o rosto com a toalha e depois deu um beijinho em minha testa. – Não. – Punhetinha? – Não. Lavei meu rosto e o segui até o quarto. Ele já estava debaixo das cobertas, lendo um livro sobre política. – Vou tentar não ficar ofendida por ter um militar na capa desse livro depois de você recusar uma chupada. – Depois me conte se você conseguiu – ele disse, dando uma piscadela. Encolhendo os ombros, tirei meu roupão e fiquei de pé ao seu lado, vestindo uma calcinha fio-dental verde com uma sainha de seda, além de um sutiã combinando. Uma cinta-liga prendia as meias mais macias que já tinha usado. Ele me mediu de cima a baixo e suspirou. – O que foi? É só meu confortável pijama – eu disse, pulando para a cama e entrando debaixo das cobertas. – Adoro dormir ao seu lado quando estou usando cinta-liga de seda e essa calcinha pequenininha e muito cara. Joe ajustou seu travesseiro e voltou para o livro, mas eu consegui contar até cem antes de ouvir ele virar a página, então tenho certeza de que não estava lendo nada. Puxando as cobertas para baixo para expor minhas coxas, eu me aninhei ao seu lado. – Você deveria sentir estas meias. São tão delicadas. Aposto que você conseguiria rasgálas só de olhar. Joe tossiu, depois sorriu pacientemente para mim. – Tenho certeza de que sim. Fui eu que as comprei para você, afinal de contas. – Mas não tenho certeza se deveria dormir com elas – Franzi o rosto, pensativa. – Você pode me ajudar a tirá-las? Ele hesitou por um longo tempo olhando para seu livro antes de guardá-lo cuidadosamente no criado-mudo. Depois me descobriu inteira e me analisou sob a luz fraca do abajur. – Você é linda demais – ele murmurou, beijando meu pescoço, minha clavícula e o topo dos meus seios. Uma sensação de vitória explodiu em minhas veias e eu fechei os olhos, arqueando as costas para que ele pudesse abrir o sutiã, erguendo minha bunda para que pudesse cuidadosamente tirar a pequena saia que envolvia minha calcinha. Mas abri os olhos e o observei tirar gentilmente minhas meias, dando apenas um único beijo em cada joelho. Algo estava errado. Joe olhou para mim e sorriu maliciosamente antes de agarrar minha calcinha e a deslizar pelas minhas pernas, jogando-a inteira no chão ao lado da cama. – Melhor assim? – ele perguntou, segurando uma risada. Fiquei olhando para ele, tentando machucá-lo com o meu olhar. – Você é um idiota. Ele revirou os olhos.
– Eu sei. – Você sabe o quanto quero sentir você em cima de mim? Você não viu a calcinha? Era ridícula! Você poderia rasgar com os dentes! – Era mesmo incrível – Joe se abaixou e beijou minha boca tão docemente, tão profundamente que meu peito se apertou de tanto prazer. – Sei o quanto você quer. Eu também quero – ele assentiu em direção à cueca, onde estava tão duro que eu podia ver a ponta da ereção pressionando o tecido. – Estou pedindo que você confie em mim. Ele estendeu o braço para apagar a luz, depois virou para ficar de lado olhando para mim. – Diga que você me ama. Passei minhas mãos em seu peito nu e subi até seus cabelos. – Eu te amo. – Agora, durma. Amanhã será um longo dia. O resto dos convidados vai chegar, nós vamos ensaiar nosso casamento, e eu estarei a apenas um dia de me tornar seu marido. Depois disso, nunca mais vou negar ter você. Ele me beijou lentamente, com firmeza e lábios quentes, sem língua, sem sons, apenas sua boca sobre a minha, sugando docemente e me acalmando até eu me sentir serena, adorada, e até mesmo sonolenta o bastante para imaginar que poderia adormecer ao lado deste homem sem precisar estar fatigada por muitos orgasmos.
Acordei numa cama vazia. Não era uma ocorrência rara, e quase caí no sono outra vez antes de lembrar que Joe não estaria de pé para trabalhar; estávamos em San Diego para nosso casamento. Meu coração explodiu em pânico e uma sensação de déjà vu surgiu em meu peito. E se o Joe estivesse doente? Eu me sentei na cama imediatamente e olhei por baixo da porta do banheiro procurando por alguma luz em nosso quarto escuro. Cruzei a sala de estar da suíte e entrei no banheiro social. Podia ver que a luz estava acesa por debaixo da porta, e eu segui na ponta dos pés, sem saber se deveria chamá-lo ou apenas voltar para cama e torcer para estar tudo bem. Dei um passo para trás e me lembrei da única vez em que vi Joe doente – a intoxicação alimentar que tinha comentado com Sara na noite anterior. – Por que você não me acordou? – eu perguntei a ele. – Por que a última coisa que eu precisava era ter você lá, me vendo vomitar. – Eu poderia fazer alguma coisa. Você não precisa ser tão machão. – E você não precisa ser tão mulherzinha. O que você que poderia fazer? Intoxicação alimentar é uma coisa para se cuidar sozinho. Resolvi deixá-lo em paz e comecei a voltar para o quarto… Até que ouvi um gemido baixo. Meu coração se apertou e minha pulsação acelerou. Andei até a porta e pousei a mão contra a madeira. Quando eu estava quase o chamando para perguntar se queria algum remédio, ele gemeu e soltou sons de prazer com a voz rouca. - Ai, caralho… Tirei minha mão da porta e a coloquei sobre minha boca, abafando uma exclamação de surpresa. Será que ele estava…? Será que ele escapou para o banheiro da sala para…? Ouvi a torneira sendo aberta do outro lado da porta e fiquei olhando como se pudesse
desenvolver uma visão de raios X se me concentrasse bastante. Com que frequência ele fazia isso? Será que sempre se masturbava no meio da noite? A água parou e eu me virei, correndo de volta para o quarto. Pulei no colchão e puxei as cobertas para que Joe pensasse que eu ainda estava dormindo. Dormindo enquanto ele batia uma na sala! Rolei meu rosto no travesseiro para abafar uma risada. Na outra parte da suíte, a porta do banheiro se abriu e uma fresta de luz cortou o tapete antes de tudo voltar a ficar escuro. Fiquei ouvindo com atenção, tentando diminuir minha respiração enquanto ele andava sobre o carpete de volta para o quarto. Joe cuidadosamente subiu as cobertas e se deitou ao meu lado, abraçando meu corpo e beijando minha testa. – Eu te amo – ele sussurrou, passando suas mãos frias sobre minha pele quente. Eu ainda não tinha decidido se continuaria fingindo que estava dormindo ou se admitiria o flagra para poder jogar isso na cara dele. Então rolei em sua direção, subindo minha mão por seu peito até o coração. Sua pulsação estava praticamente martelando. Como se tivesse acabado de ter gozado escondido. Aproximei meu rosto de seu ouvido e sussurrei: – Você nem gemeu meu nome. Estou ofendida. Ele congelou. – Pensei que você estava dormindo. Eu ri. – Obviamente – mordisquei seu maxilar. – Você teve um bom orgasmo solitário? Finalmente, ele admitiu. – Sim. – Por que você foi até lá? Tenho uma mão e vários orifícios à disposição. Rindo, ele apenas disse meu nome. – Demi. – Você faz isso sempre? – fiquei com medo que ele pudesse ouvir a pitada de ansiedade em minha voz. – Nunca faço quando estou com você. Eu só… – Joe levou minha mão até sua boca e a beijou. – Você está nua. Estava duro… – rindo, ele começou a reformular o que iria dizer. – Estava difícil dormir com você assim. Eu adorava sua voz no meio da noite, tão rouca e grave. Adorava ainda mais depois de um orgasmo… mesmo que tenha sido escondido no banheiro. Sua voz sempre ficava mais grave após gozar, suas palavras pareciam mais lentas. Ele ficava impossivelmente mais sexy. – Você estava pensando em quê? Ele parou, acariciando minha mão com o polegar. – Sobre suas pernas abertas sobre meu rosto e sua boca no meu pau. Como na outra noite, só que sem suas provocações. – Quem gozou primeiro? Com um gemido, ele disse: – Não sei. Eu não estava… Dei um tapinha em seu peito. – Ah, não vem com essa. Eu sei o quanto suas fantasias são específicas. Virando-se para mim no escuro, ele disse:
– Você gozou primeiro. Claro que foi você. Certo? Podemos voltar a dormir? Eu o ignorei. – Você gozou na minha boca ou na… – Na boca. Durma, Demi. – Eu te amo – disse, depois o beijei. Por um momento ele me deixou abocanhar seu lábio e chupar, morder. Mas então afastou o rosto e envolveu minha cintura com os braços, movendo minha cabeça para mais perto de seu peito. – Eu também te amo. – Eu não quero levantar e ir ao banheiro – eu disse, sorrindo na escuridão. Ouvi sua boca se abrir, mas demorou alguns segundos até ele produzir algum som. – Como assim? Rolei de costas e abri minhas pernas, deixando uma delas sobre sua coxa. – Demi… – ele gemeu. Eu já estava molhada só de pensar no que ele tinha feito e no que esteve pensando. Estava molhada só de lembrar de sua voz no banheiro quando gozou: era o som de alívio misturado com arrependimento, e o fato de que era mais necessidade do que diversão deixou tudo muito mais sexy. Deslizei meus dedos sobre minha pele até chegar ao meio das pernas. Ao meu lado, Joe ficou parado até eu soltar meu primeiro gemido silencioso, e então ele estremeceu e se espalhou ao meu lado, rolando até quase cobrir meu corpo e beijando de meu pescoço até meus seios. – Me conte o que você está pensando – ele sussurrou enquanto me beijava. – Conte cada pensamento nessa sua mente suja. – É a sua mão – eu disse, sentindo meu coração bater mais forte com meus próprios toques –, e você está me provocando. A voz dele estava tão grave que parecia apenas uma vibração quando perguntou: – Como? Engolindo em seco, eu disse: – Quero você tocando meu clitóris, mas você está apenas circulando os dedos ao redor. Ele riu, tomando um mamilo na boca antes de soltá-lo com um beijo melado. – Deslize apenas um dedo. Continue provocando. Quero ouvir você implorar. – Eu quero mais – meu dedo era muito menor que o dele, e apenas um dele nunca era suficiente. Um dos meus era um tormento com aquela voz em meu ouvido e aquela respiração em minha pele. – Quero mais rápido, e maior. – Que corpinho exigente você tem – ele disse, chupando meu queixo. – Aposto que você está escorregadia e quente. Aposto que sei exatamente qual é o seu sabor agora. Meus dedos circulavam, ainda provocando, sabendo que era isso que ele faria. Era o que ele queria que eu fizesse. Pressionei minha cabeça de novo no travesseiro, sussurrando: – Mais rápido. Por favor, mais qualquer coisa. – Use as duas mãos – ele sussurrou. – Dois dedos dentro e os outros trabalhando fora. Quero ouvir você gemendo. Deslizei minha outra mão por meu corpo e me inclinei para seu lado, sentindo sua nova ereção contra minha cintura. Com as duas mãos, eu continuei me tocando, desfrutando seu cheiro de suor e sabonete ao meu lado, sentindo sua barba raspar meu pescoço quando ele me
beijou faminto, sussurrando: – Vai, Demi. Quero ouvir você. Quase perdi o fôlego quando ele deslizou a palma da mão sobre meu seio, apertando-o com força antes de abaixar a cabeça e tomar um mamilo com a boca. Adorei o som que ele fez quando me chupou. Era desesperado e retumbante; um som tão intenso que eu podia senti-lo por dentro do meu corpo. – Ohhh – gemi. – Estou quase… Ele soltou o mamilo e descobriu o meu corpo, expondo minha pele ao ar gelado do quarto de hotel e ao fogo de seus olhos. – É a minha mão que você está fodendo – ele rosnou. – Mostre como você gosta – ergui meus quadris, querendo agradá-lo, querendo que ele cedesse e subisse em cima de mim e me possuísse. Mas ao invés disso, Joe levantou uma das minhas pernas para poder alcançar minhas costas e me dar um beijo. – Eu faria muito melhor; minha mão iria foder você muito melhor do que isso. Eu faria você gritar. Aquilo foi suficiente, e com seus lábios pressionados em minha orelha dizendo que iria me comer tanto e tão forte no sábado, o suficiente para que no dia seguinte eu desejasse que tivesse sido apenas minha mão no lugar, que eu acabei gozando, quente e sentindo minha pulsação em meus dedos. Mas não chegou nem perto do que ele me fazia sentir. Nós desabamos nos travesseiros num silêncio ofegante e insatisfeito. Eu queria sentir seu prazer quando ele gozasse dentro de mim, ou em cima de mim, ou simplesmente junto comigo. Eu queria testemunhar cada vez que ele sentia aquele momento de alívio. Ele era meu; seu prazer era meu, e seu corpo era meu. Por que ele estava me fazendo esperar? Mas quando ele passou aquela mão grande e possessiva de minha cintura até meu ombro, parando em cada curva pelo caminho, eu entendi o que ele estava fazendo. Estava me dando algo além do casamento para pensar. Estava fazendo uma abstinência idiota para que eu ficasse o atormentando. Estava me fazendo atormentá-lo e fingindo que estava odiando. Estava se certificando de que esta semana seria nossa, e de que poderíamos aparentar que estávamos nos concentrando em outras pessoas, enquanto por dentro estávamos concentrados apenas um no outro, em cada piscadela, em cada quarto escuro, em cada pensamento íntimo. Joe estava se certificando de que olharíamos um para o outro no altar e saberíamos que fizemos a melhor escolha de nossas vidas. – Você é muito inteligente, sabia? – eu perguntei, aninhando meu corpo sobre o dele e passando a mão em seus cabelos. Ele pressionou os lábios em meu pescoço e o sugou. – Você pode me agradecer depois, Einstein. Joe virou a cabeça para me beijar e eu soltei um gemido com seu toque. Seus lábios eram tão firmes, tão dominantes que eu me entreguei quando ele colocou a língua profundamente. Estremeci quando suas mãos voltaram a me tocar, quentes e ásperas, sentindo cada curva do
meu corpo. Sua ereção batia em minha barriga e eu tentei rolar seu corpo para cima de mim. – Quero você dentro – disse. Ouvi minha própria voz, rouca e suplicante. Passei minhas mãos em seu pescoço e segurei seu rosto, tentando trazê-lo para mais perto. Mas ele suspirou, virou e tomou meus dedos em sua boca. – Cacete… Joe gemeu enquanto chupava cada um deles, saboreando meu sexo. Então empurrou minha mão e soltou um gemido frustrado: – Boa noite… – Joe… Antes que eu pudesse segurá-lo e prendê-lo no lugar, ele rolou para fora da cama e voltou para o banheiro, batendo a porta com força.
 

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