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Playboy Irresistivel - Capitulo 16



Dezesseis

Desliguei o carro e o motor tilintou no silêncio que se seguiu. Ao meu lado, Demi estava dormindo, com a cabeça encostada na janela do passageiro. Estávamos na frente da casa da família Lovato, nos subúrbios de Boston. Na frente, havia uma grande varanda branca envolvida por tijolos expostos, venezianas azul-marinho cobriam as janelas da frente, e pesadas cortinas cor de creme eram visíveis lá dentro. A casa era grande, bonita, e continha tantas das minhas próprias memórias que eu sequer podia imaginar o que era para Demi retornar aqui. Fazia uns dois anos que eu não vinha até aqui, desde que acompanhei Jensen em sua visita aos pais num fim de semana qualquer. Nenhum de seus irmãos estava na casa naquela ocasião. Foi uma visita relaxante, durante a qual passamos a maior parte do tempo no quintal lendo e tomando gim e tônica. Mas agora eu estava estacionado na frente da casa deles, sentado ao lado da irmã do meu amigo, que havia me dado duas chupadas sensacionais durante a viagem, a última terminando menos de uma hora atrás com minhas mãos segurando o volante com força e meu pau tão enterrado em sua garganta que até senti quanto ela engoliu. Demi realmente tinha talento com a boca. Ela achava que ainda precisava de mais instruções, e eu não me importei de continuar com a brincadeira enquanto ela praticava em mim mais algumas vezes. Na cidade, no meio do nosso dia a dia, era fácil esquecer a conexão com Jensen, a conexão familiar. A conexão eles-me-matariam-se-soubessem-o-que-estamos-fazendo. Fui surpreendido quando ela citou Liv, pois essa era uma história muito antiga. Mas agora eu teria que encarar tudo isso neste fim de semana: minha história como a grande paixão de Liv, como o melhor amigo de Jensen e o estagiário de Johan. E teria que encarar tudo isso tentando esconder minha paixão por Demi. Toquei em seu ombro e sacudi de leve. – Demi. Ela se assustou um pouco, mas a primeira coisa que viu quando abriu os olhos foi meu rosto. Demi estava sonolenta e não totalmente consciente, mas sorriu como se estivesse olhando para a sua coisa favorita no mundo, e então murmurou: – Oi. E, com sua reação, meu coração explodiu. – Oi, minha Ameixa. Ela sorriu timidamente, virando a cabeça para olhar pela janela enquanto se espreguiçava. Quando viu onde estávamos, ela se assustou novamente, ajeitando-se no assento e olhando ao redor. – Ah! Já chegamos. – Estamos aqui. Quando se virou para mim, seus olhos pareciam levemente em pânico. – Vai ser esquisito, não é? Vou ficar olhando para a sua braguilha e o Jensen vai perceber e daí você vai olhar para os meus peitos e alguém também vai perceber! E se eu tocar você? Ou… – seus olhos se arregalaram – e se eu beijar você?
Sua crise nervosa iminente me acalmou demais. Apenas um de nós podia surtar por vez. Balancei a cabeça e disse: – Vai dar tudo certo. Estamos aqui como amigos. Estamos visitando sua família como amigos. Não vai ter nada de admiração pública de paus ou peitos. Combinado? – Combinado – ela repetiu sem muito entusiasmo. – Apenas amigos. – Porque é isso que somos – eu a lembrei, ignorando o órgão dentro do meu peito que se retorceu quando eu disse isso. Endireitando-se, ela assentiu e levou a mão até a maçaneta, cantarolando: – Amigos! Amigos visitando minha casa na Páscoa! Vamos encontrar seu velho amigo, meu irmão mais velho! Obrigada por me trazer até aqui desde Nova York, amigo Joe, meu amigo! Ela riu enquanto saía do carro e dava a volta para pegar sua bagagem no porta-malas. – Demi, acalme-se – sussurrei, pousando suavemente a mão em suas costas. Senti meus olhos baixarem de seu pescoço até chegarem aos peitos. – Não seja lunática. – Olhos aqui em cima, Joseph. É melhor começar desde já. Rindo, eu sussurrei: – Vou tentar. – Eu também – e com uma piscadela, ela sussurrou: – E lembre-se de me chamar de Dem. —
Helena Lovato tinha um abraço tão bom que poderia ser facilmente confundida com alguém do noroeste americano. Apenas seu leve sotaque e as feições europeias denunciavam sua origem norueguesa. Ela me cumprimentou e me puxou logo que entrei pela porta para um familiar abraço. Assim como Demi, ela era alta, e envelheceu muito bem. Beijei seu rosto, entregando as flores que compramos quando paramos para abastecer. – Você é sempre tão gentil – ela disse, recebendo as flores e gesticulando para entrarmos. – Johan ainda está trabalhando. Eric não poderá vir. Liv e Rob estão aqui, mas Jensen e Niels ainda estão na estrada – ela olhou para a janela e franziu a testa. – Vai chover, então espero que eles cheguem para o jantar. Para ela, dizer os nomes de todos os seus filhos era tão fácil quanto respirar. Fico imaginando como foi sua vida criando tantas crianças. E com cada um também se casando e tendo filhos, a casa ficaria cada vez mais cheia. Senti um desejo estranho de participar de tudo isso de algum jeito, então desviei os olhos tentando limpar minha mente. Este fim de semana tinha potencial para ser estranho o suficiente sem ter essas novas emoções no meio. Lá dentro, a casa parecia a mesma das minhas memórias, apesar de ter passado por uma reforma. Ainda era confortável, mas, em vez da decoração azul e cinza de que eu me lembrava, agora os tons predominantes eram marrons e vermelhos com sofás macios e paredes cor de creme. Por toda a entrada e corredor eu percebi que, com ou sem reforma, Helena ainda abraçava o estilo de vida americano com uma boa dose de citações posando de arte nas paredes. Eu sabia o que veria pelo resto da casa: No corredor: “Viva, ria, ame!”. Na cozinha: “Uma dieta equilibrada é ter um biscoito em cada mão!”. Na sala de estar: “Nossos filhos: nós damos as raízes para eles alçarem voo!”. Ao me flagrar lendo a frase perto da entrada – “Todos os caminhos levam para casa” –, Demi piscou, mostrando um sorriso no canto da boca.
Quando ouvi passos descendo pela escada de madeira ao lado da entrada, ergui o olhar e encontrei os olhos verdes de Liv. Meu estômago esfriou num instante. Não havia motivo para eu deixar que as coisas ficassem estranhas com Liv; já a encontrei várias vezes desde que ficamos, mais recentemente no casamento de Jensen alguns anos atrás, quando tivemos uma agradável conversa sobre seu emprego numa pequena firma comercial em Hanover. Seu noivo – atual marido – parecia um cara legal. Lembro-me de nem pensar duas vezes sobre qualquer coisa entre nós. Mas isso era porque eu não considerava que nosso breve romance tivesse significado algo para ela; eu não sabia que Liv tinha ficado com o coração partido quando voltei para Yale naquele Natal. Era como se alguém tivesse reescrito uma grande parte da minha história com os Lovato – e me transformado no vilão. Agora que eu estava aqui, percebi que não fiz nada para me preparar mentalmente para isso. Enquanto fiquei de pé como uma estátua, ela se aproximou e me abraçou. – Oi, Joe – ela disse. Senti a pressão de sua barriga grávida e ela riu, sussurrando: – Me abrace de volta, seu bobo. Relaxei e envolvi seu corpo com meus braços. – Olá. Acho que estou um pouco atrasado, mas parabéns mesmo assim. Ela deu um passo para trás, esfregando a barriga e sorrindo. – Obrigada. Liv parecia estar se divertindo com meu embaraço, e então eu me lembrei de que Demi tinha ligado para ela depois de nossa discussão, ou seja, provavelmente ela sabia exatamente o que se passava comigo e sua irmãzinha. Meu estômago voltou a dar um nó, mas me esforcei para superar o desconforto e não estragar o fim de semana inteiro. – Você está esperando um menino ou uma menina? – Vai ser uma surpresa – ela disse. – Rob quer saber, mas eu não. Então, claro, isso significa que não vamos saber até lá. Rindo, ela abriu espaço para seu marido me cumprimentar. Trocamos mais algumas amenidades no hall de entrada; Demi atualizou sua mãe e Liv com as últimas notícias da pós-graduação, Rob e eu conversamos um pouco sobre basquete antes de Helena apontar para a cozinha. – Preciso voltar para o fogão. Venham tomar um drinque depois de se acomodarem um pouco. Peguei nossa bagagem e acompanhei Demi até o andar de cima. – Ponha Joe no quarto amarelo – Helena disse. – Esse era o meu quarto? – perguntei, enquanto olhava para a bunda perfeita de Demi. Ela sempre esteve em forma, mas nossas corridas estavam fazendo maravilhas com suas curvas. – Não, você ficava no quarto de hóspedes branco – ela respondeu, e então se virou para me jogar um sorriso sobre o ombro. – Não que eu me lembre de cada detalhe daquele verão ou algo assim. Eu ri e entrei no quarto em que eu deveria passar a noite. – Onde fica o seu quarto? – a pergunta saiu antes mesmo de eu considerar se era bom ou não eu saber, e certamente antes de eu checar se alguém poderia nos ouvir. Ela olhou sobre o ombro e então entrou no quarto, fechando a porta.
– Na segunda porta do corredor. O espaço entre nós parecia encolher. Ficamos parados, encarando um ao outro. – Oi – ela sussurrou. Foi a primeira vez desde que deixamos Nova York que considerei que talvez isso fosse uma péssima ideia. Eu estava apaixonado por Demi. Como poderia esconder isso todas as vezes que eu olhava para ela? – Oi – eu disse, quase sem voz. Inclinando a cabeça, ela perguntou: – Tudo bem? – Sim – e cocei meu pescoço. – Só que… eu quero te beijar. Ela chegou mais perto até poder passar as mãos debaixo da minha camiseta e sobre meu peito. Eu me abaixei, plantando um único e simples beijo em sua boca. – Mas eu não deveria – falei contra seus lábios quando ela voltou para outro beijo. – Provavelmente não. Sua boca passou para meu queixo, descendo pela garganta, chupando, mordendo. Debaixo da minha camiseta, ela arranhava meu peito e deslizava as unhas suavemente sobre meus mamilos. Em apenas alguns segundos, eu já estava rígido, pronto, sentindo minha pele se aquecer e meus músculos queimarem. – Não sei se vou conseguir ficar apenas nos beijos – eu disse, ao mesmo tempo alertando para ela parar e incentivando para continuar. – Temos um pouco de tempo antes do resto do pessoal chegar – Demi disse, afastando-se apenas o suficiente para desabotoar minha calça. – Podemos… Eu segurei suas mãos, sentindo meu lado cauteloso vencer minha luta interna. – Demi. É melhor não. – Não vou fazer barulho. – Esse não é o único problema de comer você na casa dos seus pais no meio do dia. Não acabamos de ter essa conversa lá fora? – Eu sei, eu sei. Mas e se agora for o único momento que teremos sozinhos? – ela perguntou, com um sorriso malicioso. – Você não quer brincar um pouco comigo aqui? Ela estava louca. – Demi – eu disse, fechando os olhos e soltando um grunhido quando ela abaixou minha calça e cueca e agarrou meu pau com sua mão quente. – Realmente não podemos. Ela parou, segurando meu pau gentilmente. – Podemos ser rápidos. Para variar um pouco. Abri os olhos e a encarei. Eu não gostava de pressa, em nenhuma situação, mas principalmente com Demi. Gosto de ir devagar. Mas se ela estava se oferecendo a mim e tínhamos apenas cinco minutos, eu poderia usar esses cinco minutos. O resto da família ainda não havia chegado; talvez tudo desse certo. E então eu me lembrei: – Merda. Não tenho nenhuma camisinha. Não trouxe nenhuma. Por motivos óbvios. Ela praguejou. – Nem eu. A pergunta pairou sobre nós quando Demi me olhou, com olhos arregalados e suplicantes. – Não – eu disse, sem nem precisar ouvir suas palavras. – Mas eu tomo pílula há anos.
Fechei os olhos e apertei meu queixo. Merda. Gravidez era a única coisa que realmente me preocupava. Mesmo nos meus dias mais selvagens, nunca fiz sexo sem camisinha. E de qualquer maneira, fiz testes regulares para tudo nos últimos anos. – Demi. – Não, você tem razão – ela disse, passando o polegar na ponta do meu pau, espalhando a umidade ali. – Não é só por causa de gravidez. É uma questão de segurança… – Nunca transei sem camisinha – respondi imediatamente. O que é que eu estava fazendo? Ela congelou. – Nunca? – Nunca nem esfreguei por fora. Sou muito paranoico. Seus olhos se arregalaram. – Nem mesmo “só a pontinha”? Eu achava que todo cara fazia essa coisa de “só a pontinha”. – Sou paranoico e cuidadoso. Sei que só precisa de uma vez para tudo dar errado. Sorri para ela, sabendo que entenderia a referência: eu mesmo surgi de uma gravidez indesejada. Seus olhos se tornaram sombrios e grudaram na minha boca. – Joe? Então hoje seria sua primeira vez desse jeito? Ah, merda. Quando ela me olhava desse jeito, quando sua voz ficava nesse tom rouco e sussurrante, eu não conseguia aguentar. Não havia apenas uma atração física entre nós. Claro, já fiquei atraído por mulheres antes. Porém, havia algo mais com Demi, uma química em nosso sangue, algo entre nós que se acendia como uma centelha, que me fazia sempre querer um pouco mais do que eu poderia ter. Ela me ofereceu sua amizade, eu quis seu corpo. Ela me ofereceu seu corpo, eu quis sequestrar seus pensamentos. Ela me ofereceu seus pensamentos, eu quis seu coração. E aqui estava ela, querendo me sentir dentro dela – apenas eu, apenas ela –, e era quase impossível dizer não. Mas eu tentei. – Realmente, acho que não é uma boa ideia. Precisamos ter um pouco mais de cuidado com essa decisão. Principalmente se você pensa em ter outros caras em seu “experimento”, pensei, mas não falei. – Apenas quero sentir. Eu também nunca transei sem camisinha – ela sorriu e me beijou. – Só um pouco. Só por um segundo. Rindo, eu sussurrei: – Só a pontinha? Ela deu um passo para trás e encostou-se à beira da cama, subindo a saia até a cintura e tirando a calcinha. Demi me encarou, abriu as coxas e deitou-se no colchão apoiando-se nos cotovelos, deixando os quadris suspensos para fora da cama. Tudo que eu precisava fazer era me aproximar e entrar nela. Ao natural. – Sei que é loucura e sei que é estúpido. Mas, Deus, é assim que você me faz sentir – sua língua deslizou e molhou o lábio inferior. – Prometo não fazer barulho. Fechei meus olhos, sabendo que assim que ouvi aquilo, eu me decidi. A pergunta mais importante era se eu conseguiria não fazer barulho. Baixei ainda mais minha calça e me posicionei entre suas pernas, segurando meu pau e me inclinando sobre ela. – Merda. O que estamos fazendo?
– Apenas sentindo. Meu sangue martelava em minha garganta, em meu peito, em cada centímetro do corpo. Era como a última fronteira do sexo; era até estranho pensar que já fiz de tudo, menos isso. Parecia tão simples, quase inocente. Mas nunca quis sentir nada tanto quanto queria senti-la, pele com pele. Era como uma febre tomando posse da minha mente e minha razão, dizendo como seria bom enterrar nela por apenas um segundo, apenas para sentir um pouco, e isso seria suficiente. Ela poderia voltar para seu quarto, desfazer as malas, descansar, e eu bateria uma, mais forte e mais rápido do que jamais fiz na vida. Estava decidido. – Venha aqui – ela sussurrou, estendendo a mão para meu rosto. Baixei meu peito, abrindo a boca para beijar seus lábios, chupando sua língua, engolindo seus sons. Eu podia sentir sua pele lisa contra a parte de baixo do meu pau, mas não era ali que eu queria sentir. Eu queria senti-la me envolvendo por inteiro. – Está gostoso? – perguntei, levando a mão entre nós para esfregar seu clitóris. – Posso fazer você gozar primeiro? Não acho que devemos terminar assim. – Você consegue tirar antes? – Demi – sussurrei, mordendo seu queixo. – Não era para ser “só a pontinha”? – Você não quer saber como é? – ela retrucou, deslizando as mãos até minha bunda e mexendo os quadris. – Você não quer saber como é me sentir? Soltei um grunhido, mordendo seu pescoço. – Você é uma garota muito safada. Ela tirou meus dedos de seu clitóris e agarrou meu pau, esfregando por toda a sua pele macia e molhada. Gemi mergulhado em seu pescoço. E então ela me guiou até sua entrada, segurando e esperando eu mexer meus quadris. Empurrei para frente, depois para trás, sentindo a sutil entrega de seu corpo quando a cabeça do meu pau deslizou alguns centímetros para dentro. Continuei entrando, apenas mais um pouco, até sentir ela se esticar para envolver todo o meu pau, e então parei, gemendo. – Rápido – eu disse. – Em silêncio. – Prometo – ela sussurrou. Eu esperava que ela estivesse quente, mas não estava preparado para o quanto estava macia, quente, molhada. Eu estava despreparado para a tontura que senti, a sensação de sua pulsação, músculos apertando, sons famintos e afogados em meu ouvido dizendo o quanto também era diferente para ela. – Merda – grunhi, sem conseguir resistir a entrar até o fim. – Não posso… não posso transar desse jeito ainda. É bom demais. Vou gozar muito rápido. Ela segurou a respiração, com as mãos apertando meus braços com tanta força que até doía. – Tudo bem – ela disse com dificuldade, antes de soltar a respiração de uma vez. – Você sempre aguenta por tanto tempo. Quero que seja tão bom a ponto de você não conseguir se segurar. – Você é tão malvada – eu disse entredentes. Demi riu, virando a cabeça para capturar minha boca num beijo. Estávamos apoiados na beira da cama, ainda vestindo nossas camisetas, minha calça abaixada até os tornozelos e a saia dela erguida até a cintura. Deveríamos estar desfazendo as malas, descansando, nos situando. O que estávamos fazendo era muito errado, mas de algum
modo não fazíamos nenhum barulho, e eu me convenci de que conseguiria me controlar, talvez transar devagar para impedir que a cama chiasse. Mas então percebi que eu estava dentro dela, completamente ao natural, na casa dos pais dela. Quase gozei só de olhar para onde eu enterrava nela. Retirei quase tudo para fora – revelando o quanto ela estava molhada – e entrei novamente, então repeti a dose, de novo e de novo. E, merda, eu estava arruinado. Nunca mais poderia transar com mais ninguém, nunca mais poderia usar camisinha com esta garota. – Aqui vai uma decisão executiva – ela sussurrou, com a voz rouca e a respiração acelerada. – Esqueça as corridas matinais. Precisamos fazer isto cinco dias por semana. Sua voz estava tão fraca que precisei encostar meu ouvido em sua boca para ouvir. Mas tudo que eu entendia no meio do meu transe eram frases quebradas com palavras como “duro” e “pele” e “fique dentro depois de gozar”. Foi essa última ideia que me pegou de vez, que me fez pensar sobre gozar dentro dela, beijando-a até ela sentir sua própria urgência, e então ficando duro novamente e sentindo ela se apertar ao redor de mim. Eu poderia foder, ficar por lá, depois foder de novo antes de cair no sono dentro dela. Aumentei a força, segurando sua cintura, encontrando aquele ritmo perfeito que não balançava a estrutura da cama, nem batia a cabeceira na parede. O ritmo em que ela poderia continuar em silêncio, em que eu poderia tentar me segurar até ela chegar lá… mas era uma batalha perdida, e mal tinham se passado alguns minutos. – Ah, merda, Demi – eu grunhi. – Desculpe. Desculpe. Joguei minha cabeça para trás, sentindo meu orgasmo se acumular entre minhas pernas, chegando rapidamente. Tirei de dentro, socando meu pau com força enquanto ela correu com as mãos entre as pernas, pressionando os dedos em seu clitóris. Ouvi passos no corredor e meus olhos voaram para o rosto de Demi para saber se ela também tinha ouvido, apenas uma fração de segundo antes de alguém bater na porta. Minha visão ficou turva e senti meu orgasmo começando. Merda. Meeeeeerda. Jensen gritou: – Joe! Ei, já cheguei! Você está no banheiro? Demi sentou-se abruptamente, com olhos arregalados como se pedisse desculpas, mas já era tarde demais. Fechei os olhos, gozando em minha mão e em sua coxa nua. – Espera um pouco – gritei de volta, olhando para meu pau ainda pulsando em minha mão. Eu me dobrei sobre a cama, apoiando com a mão livre no colchão. Quando olhei para Demi, ela parecia não conseguir desviar os olhos de onde meu orgasmo atingiu sua pele e – ah, merda – toda sua saia. – Estou me trocando. Daqui a pouco eu saio – consegui dizer, com o coração quase saindo pela boca com a adrenalina repentina que invadiu meu corpo. – Beleza. Espero você lá em baixo – ele disse, e então seus passos retrocederam. – Merda, sua saia… Eu me afastei, correndo para me vestir logo, mas Demi não se mexeu. – Joe – ela sussurrou, e eu enxerguei aquela fome familiar em seus olhos sombrios. – Ah, não. Aquilo foi por pouco. A porta nem estava trancada.
– Acho que… – comecei. Mas ela se recostou, puxando-me para cima de seu corpo. Ela estava completamente despreocupada sobre seu irmão nos flagrar. Mas ele foi embora, não é mesmo? Esta garota me deixa maluco. Com meu coração ainda acelerado, eu me abaixei, enfiando dois dedos dentro dela e passando minha língua entre suas pernas enquanto ela fechava os olhos. Suas mãos buscaram meus cabelos, os quadris se levantaram em minha boca, e em questão de segundos ela começou a gozar, abrindo a boca num grito silencioso. Sob meu toque, ela tremia, erguendo cada vez mais os quadris e agarrando meus cabelos com toda a força. Com seu orgasmo terminando, continuei lentamente movendo meus dedos dentro dela, mas fui beijando um caminho gentil entre seu clitóris, o interior da coxa e o quadril. Finalmente, deitei minha testa em seu umbigo, ainda tentando recuperar meu fôlego. – Ah, Deus – ela sussurrou assim que suas mãos soltaram meus cabelos, subindo até os seios. – Você me deixa maluca. Tirei meus dedos de dentro dela e beijei a parte de trás de sua mão, sentindo o cheiro de sua pele. – Eu sei. Demi permaneceu parada na cama durante um minuto silencioso e então abriu os olhos, me encarando como se tivesse recobrado a razão. – Uau. Essa foi por pouco. Rindo, eu concordei. – Muito pouco. É melhor nos trocarmos e descermos logo – e acenei para sua saia, dizendo: – Desculpe por isso. – É só esfregar que sai. – Demi – eu disse, segurando uma risada frustrada. – Você não pode descer com uma mancha gigante de porra na sua saia. Ela considerou a situação por um instante e então me ofereceu um sorriso bobo. – É verdade. É que… até que gosto dela. – Tão safada… Ela sentou-se enquanto eu puxava minha calça de volta e beijou minha barriga através da camiseta. Envolvi seus ombros e a abracei forte, apenas me concentrando em tê-la nos meus braços. Eu estava perdidamente apaixonado por ela. Após alguns segundos, o sol passou atrás de uma nuvem, jogando sombras por toda a parte e criando um momento lindo. Sua voz pequenina, quase falhando por inteiro, quebrou o silêncio. – Você já se apaixonou? Congelei, com medo de ter falado em voz alta em vez de apenas pensar. Mas quando olhei para baixo, ela estava me observando com genuína curiosidade e olhos calmos. Se fosse qualquer outra mulher que me perguntasse isso após uma rapidinha, eu sentiria um pânico e a necessidade de sumir imediatamente. Mas, com Demi, a pergunta parecia até apropriada para o momento, principalmente considerando o quanto fomos descuidados. Nos últimos anos, eu me tornei cada vez mais cauteloso sobre quando e onde eu transava e – com exceção do casamento de Jensen –
raramente entrava em situações que precisassem de uma saída rápida ou explicações. Mas, ultimamente, estar com Demi me fazia sentir levemente em pânico, como se houvesse um número limitado de vezes que eu poderia tê-la dessa maneira. Só de pensar que eu poderia perdê-la fazia meu estômago embrulhar. Houve apenas duas outras amantes em minha vida por quem senti algo maior do que apenas afeto, mas eu nunca disse “eu te amo” para uma mulher. Sei que é esquisito, e sei que, aos trinta e um anos, essa omissão faz de mim um esquisito, mas nunca senti o peso dessa estranheza até este momento. De repente, pensei em todos os comentários maldosos sobre amor e comprometimento que fiz em conversas com Nick e Kevin. Não é que eu não acreditasse nisso; acontece que nunca consegui me identificar com esses sentimentos. Amor era sempre algo que eu achava que encontraria num futuro distante, quando eu estivesse de algum jeito mais sossegado e menos aventuroso. A criação da minha imagem como um jogador era como o depósito de minerais sobre vidro com o passar do tempo: nunca me importei com a formação, até ser tarde demais e impossível enxergar através disso. – Pelo jeito não – ela sussurrou, sorrindo. Balancei a cabeça. – Eu nunca falei eu te amo antes, se é isso que você quer saber. Mas era engraçado. Demi nunca saberia sobre todas as vezes em que eu disse isso em minha mente para ela, em segredo, quase todas as vezes em que nos tocamos. – Mas você já se sentiu? Eu sorri. – Você já? Ela deu de ombros, então acenou para a porta do banheiro que eu tinha certeza de que se conectava com o quarto de Eric. – Vou me limpar. Concordei, fechando os olhos e desabando na cama depois que ela saiu. Agradeci a todo o universo pela sorte de Jensen não ter simplesmente entrado no quarto. Seria um desastre. Se quiséssemos manter tudo em segredo – e eu tinha certeza de que Demi ainda queria manter as coisas na base da amizade colorida –, teríamos que ter muito mais cuidado daqui para frente. —
Chequei meu e-mail do trabalho, enviei algumas mensagens e então me arrumei no banheiro, com água, sabonete e muita esfregação. Demi me encontrou na sala de estar, com um sorriso tímido no rosto. – Queria me desculpar – ela disse suavemente. – Não sei o que me deu – ela piscou, pousando a ponta do dedo nos meus lábios antes que eu pudesse fazer uma piada óbvia. – Não diga nada. Rindo, olhei para a cozinha atrás dela para ter certeza de que ninguém podia nos ouvir. – Aquilo foi incrível. Mas, caramba, podia ter terminado muito mal. Ela parecia constrangida, então ofereci um sorriso e uma careta boba. Com o canto do olho, vi uma pequena estátua de Jesus numa mesa. Peguei e a segurei entre os peitos de Demi. – Ei! Olha! Encontrei Jesus no seu decote, afinal de contas. Ela olhou para baixo, rindo muito e começando a balançar os peitos, como se estivesse deixando Jesus desfrutar do mais perfeito dos lugares.
– Jesus está no meu decote! Jesus está no meu decote! – E aí, gente? Quando ouvi a voz de Jensen pela segunda vez no dia, meus braços dispararam para longe dos peitos de Demi num reflexo atrapalhado. De repente, como se fosse em câmera lenta e eu estivesse olhando de fora do meu corpo, assisti a pequena estátua de Jesus voar da minha mão, apenas entendendo o que fiz quando a peça atingiu o chão e se despedaçou em milhares de pedaços. – Ah, meeeerda – gritei, correndo até o massacre. Eu me ajoelhei, tentando apanhar os cacos maiores. Era um esforço inútil. Alguns dos cacos eram tão pequenos que praticamente tinham virado pó. Demi também se abaixou, sem conseguir parar de rir. – Joe! Você quebrou o Jesus! – O que vocês estavam fazendo? – Jensen perguntou, ajoelhando-se para me ajudar. Demi saiu da sala para buscar uma vassoura, deixando-me sozinho com a pessoa que testemunhou a maior parte das minhas galinhagens na juventude. Dei de ombros para Jensen, tentando não parecer como se tivesse acabado de brincar com os peitos de sua irmãzinha. – Eu estava só olhando. Quer dizer, olhando para a estátua. Olhando para o formato e… quer dizer, olhando para Jesus. Passei a mão na testa e percebi que estava suando um pouco. – Sei lá, Jens. Você me assustou. – E por que você está tão assustado? – ele disse, rindo. – Acho que é porque vim dirigindo. Fazia tempo que eu não dirigia – e dei de ombros, ainda sem conseguir olhar para ele. Com um tapa nas minhas costas, Jensen disse: – Acho que você precisa de uma cerveja. Demi voltou e nos afastou para varrer os cacos numa pá, mas não sem antes me jogar um olhar arregalado. – Eu disse para minha mãe que você quebrou isso, e ela nem se lembrava de qual tia deu o Jesus de presente. Ou seja, não se preocupe. Gemi de frustração, seguindo-a até a cozinha e pedindo desculpas para Helena com um beijo no rosto. Ela me entregou uma cerveja e disse para eu relaxar. Em algum momento na última meia hora, quando eu estava lá em cima transando com Demi, ou talvez quando estava tentando desesperadamente lavar seu cheiro do meu pau e dedos e rosto, seu pai havia chegado. Meu Deus. Com a cabeça mais clara e longe de Demi pelada, percebi o quanto isso foi completamente maluco. Que diabos estávamos pensando? Virando-se de onde estava procurando por uma cerveja na geladeira, Johan se aproximou e me cumprimentou com seu jeito embaraçado e acolhedor de sempre. Ele era bom de contato visual, mal com as palavras. Isso geralmente significava que ele ficava encarando a pessoa até ela pensar em algo para dizer. – Oi – eu disse, apertando sua mão e deixando ele me puxar para um abraço. – Desculpa pelo Jesus. Ele deu um passo para trás, sorriu e disse “Que é isso”, e então parou e começou a pensar em algo. – A não ser que agora você tenha se tornado religioso.
– Johan – Helena chamou, interrompendo nosso momento. Eu poderia ter dado outro beijo nela. – Querido, você pode checar o assado? O feijão e o pão estão prontos. Johan andou até o fogão, tirando um termômetro de carnes da gaveta. Senti Demi aparecer ao meu lado e ouvi seu copo de água bater na minha garrafa de cerveja. – Tim, tim – ela disse, com um sorriso fácil. – Está com fome? – Faminto – admiti. – Não enfie apenas a ponta, Johan – Helena disse para ele. – Enfie até o fim aí dentro. Eu tossi de repente, sentindo a cerveja queimar em minha garganta quase chegando até o nariz. Com a mão na minha boca, forcei minha garganta a abrir e engolir. Jensen apareceu atrás de mim, batendo nas minhas costas e mostrando um sorrisinho de quem sabe das coisas. Liv e Rob já estavam se sentando à mesa e percebi que estavam segurando uma risada. – Puta merda, essa vai ser uma longa noite – Demi murmurou. —
A conversa se espalhou pela mesa, formando pequenos grupos e depois voltando a incluir a todos. No meio da refeição, Niels chegou. Enquanto Jensen era extrovertido e um dos meus amigos mais antigos, e Eric – apenas dois anos mais velho que Demi – era o maluquinho da família, Niels era o filho do meio, o irmão silencioso e o único que eu realmente não conhecia direito. Aos vinte e oito anos, ele era um engenheiro numa grande empresa de energia e quase uma cópia carbono de seu pai, com exceção do contato visual e dos sorrisos. Mas hoje ele me surpreendeu: Niels se abaixou para beijar Demi antes de se sentar e sussurrou: – Você parece incrível, Dem. – É mesmo – Jensen disse, apontando o garfo para ela. – O que está diferente? Eu a analisei do outro lado da mesa, tentando enxergar o que eles viam e sentindo uma misteriosa irritação com a sugestão. Para mim, ela estava do mesmo jeito de sempre: confortável consigo mesma. Sem exagerar nas roupas, cabelos ou maquiagem. E sem precisar exagerar. Ela era linda quando acordava de manhã. Era radiante depois de uma corrida. Era perfeita debaixo de mim, suada e satisfeita. – Humm – ela disse, dando de ombros e espetando uma ervilha com o garfo. – Sei lá. – Você está mais magra – Liv sugeriu, inclinando a cabeça. Helena terminou de mastigar e então disse: – Não, é o cabelo. – Talvez Demi esteja apenas feliz – eu ofereci, olhando para meu prato enquanto cortava um pedaço de carne. A mesa ficou completamente silenciosa e eu ergui a cabeça, nervoso quando vi a coleção de olhos arregalados olhando para mim. – O que foi? Só então percebi que usei seu nome em vez do apelido. Mas ela consertou a situação com habilidade: – Estou correndo todos os dias, então, sim, estou mais magra. E também estou usando um novo corte de cabelo. Mas tem mais. Adoro meu emprego. E agora eu tenho amigos. O Joe está certo. Estou, sim, feliz – ela olhou para Jensen e mostrou um sorriso no canto da boca. – No fim, você estava certo. Agora podemos parar com o interrogatório? Jensen ficou com um ar todo satisfeito, e o resto da família murmurou sua aprovação, voltando então para a comida, mais quietos desta vez. Eu podia ver o sorriso de Liv direcionado a mim, e quando olhei diretamente em seu rosto, ela piscou.
Ah, merda. – O jantar está delicioso – eu disse para Helena. – Obrigada, Joe. O silêncio cresceu, e eu me senti como se estivesse sendo inspecionado. Fui flagrado. E não ajudava o fato do Jesus decapitado me olhar de um armário num canto, me julgando. Ele sabia. “Dem” era um apelido tão arraigado na família como a obsessão de seu pai com o trabalho, ou a tendência de Jensen de ser superprotetor. Eu nem sabia qual era o nome de Demi quando saímos para correr pela primeira vez, quase dois meses atrás. Mas que se dane. A única coisa que eu podia fazer agora era abraçar a situação. Eu precisava dizer de novo. – Vocês sabiam que Demi vai publicar um artigo na revista Cell? Não fui particularmente discreto; seu nome soou mais alto do que as outras palavras, mas agora não tinha volta, então sorri para o resto da mesa. Johan ergueu o rosto, com olhos arregalados. Virando-se para Demi, ele perguntou: – Isso é verdade, sötnos? Demi confirmou. – O artigo é sobre o projeto de mapeamento de epítopos que eu estava te falando. Foi uma coisa totalmente aleatória que fizemos, mas acabou ficando algo muito legal. Isso levou a conversa a um território menos constrangedor, então pude voltar a respirar com calma. Aparentemente, a única coisa mais estressante do que conhecer os pais era esconder tudo da família. Flagrei Jensen me olhando com um sorrisinho, mas eu simplesmente retribuí e voltei para olhar meu prato. Nada de interessante aqui, meu amigo. Mas num dos intervalos da conversa, encontrei os olhos de Demi grudados em mim, e pareciam surpresos e pensativos. Ela discretamente fez um movimento dos lábios: – Você. – O quê? – eu respondi, com o mesmo movimento sem som. Ela balançou a cabeça lentamente, finalmente desviando os olhos para seu prato. Eu queria esticar minha perna e tocar seu pé debaixo da mesa para chamar sua atenção novamente, mas havia um campo minado de pernas que não eram dela, e a conversa já tinha prosseguido. —
Depois do jantar, Demi e eu nos oferecemos para lavar a louça enquanto os outros relaxavam na sala de estar. Ela estalou a toalha em mim, e eu joguei espuma nela. Eu estava prestes e me inclinar e beijar seu pescoço quando Niels apareceu para pegar outra cerveja e olhou para nós como se tivéssemos trocado de roupa um com o outro. – O que vocês estão fazendo? – ele perguntou, com um tom de desconfiança na voz. – Nada – respondemos juntos e, para piorar, Demi repetiu: – Nada. Apenas lavando a louça. Ele hesitou por um segundo antes de jogar a tampinha da garrafa no lixo e voltar para a sala. – É a segunda vez hoje que você quase foi flagrado – ela sussurrou. – Terceira – eu a corrigi. – Seu nerd – ela disse, balançando a cabeça na minha direção. Seus olhos se acenderam com diversão. – Eu provavelmente não deveria arriscar entrar no seu quarto hoje à noite. Comecei a protestar, mas parei quando percebi a curva maliciosa em seu sorriso. – Você é diabólica, sabia? – eu murmurei, estendendo a mão para passar o polegar sobre
seu mamilo. – Não é à toa que Jesus não quis ficar no seu decote. Ofegando, ela deu um tapa na minha mão e olhou por cima do ombro. Estávamos sozinhos na cozinha, podíamos ouvir a conversa na outra sala, e tudo que eu queria era agarrá-la e beijá-la. – Não faça isso – ela disse. Seus olhos se tornaram sérios e as palavras seguintes saíram trêmulas, como se ela não tivesse ar suficiente nos pulmões: – Não vou conseguir parar. —
Depois de ficar acordado por algumas horas conversando com Jensen, finalmente fui para a cama. Fiquei olhando para a parede por uma hora antes de desistir de esperar os sons dos passos macios de Demi no corredor e o chiado da porta enquanto ela entrava no meu quarto. Então, cochilei e acabei perdendo o momento quando ela fez isso de verdade, depois tirou a roupa e subiu nua na minha cama. Acordei sentindo seu corpo quente se aconchegando ao meu lado. Suas mãos acariciaram meu peito, a boca chupou meu pescoço, meu queixo, meus lábios. Eu já estava duro e pronto para outra antes mesmo de acordar totalmente, e quando soltei um gemido Demi pressionou a mão em minha boca, lembrando que deveríamos ficar em silêncio. – Que horas são? – murmurei, sentindo o doce perfume de seus cabelos. – Duas e pouco. – Tem certeza de que ninguém ouviu você? – As únicas pessoas que poderiam ouvir aqui no fim do corredor são Jensen e Liv. O ventilador do Jensen está ligado, então eu sei que ele está dormindo. Ele não consegue ficar mais do que dez minutos acordado quando aquela coisa está ligada. Eu ri, porque sabia que ela estava certa. Morei com ele por vários anos e sempre odiei aquele maldito ventilador. – Rob está roncando – ela murmurou, beijando meu queixo. – E Liv precisa dormir antes que ele comece a roncar. Satisfeito por ela ter sido sorrateira – e sabendo que era improvável que alguém batesse à porta no meio da nossa transa –, rolei para o lado e a puxei mais para perto. Ela estava aqui para transar, óbvio, mas não parecia que queria apenas uma rapidinha. Havia algo mais, algo borbulhando debaixo da superfície. Percebi isso na maneira como ela manteve os olhos abertos na escuridão, no jeito como beijava desesperadamente, e em cada toque hesitante, como se estivesse pedindo permissão. Percebi na maneira como ela puxou minha mão para onde mais queria: em seu pescoço, descendo até os seios e pousando em seu coração, que martelava loucamente. Seu quarto ficava perto, ela não estava sem fôlego por causa do esforço de se deslocar. Estava sem fôlego por outro motivo. Sua boca se abria e se fechava debaixo da luz da lua, como se quisesse falar, mas não tivesse ar para isso. – O que está errado? – sussurrei em seu ouvido. – Você ainda tem outras? – ela perguntou. Afastei meu rosto e fiquei olhando para ela, confuso. Outras mulheres? Eu quis ter esta conversa antes centenas de vezes, mas sua evasão súbita sempre acabava com minha necessidade de clareza. Era ela quem queria continuar se encontrando com outras pessoas, era ela quem não confiava em mim, era ela quem achava que não deveríamos tentar ser exclusivos. Ou será que eu entendi tudo errado? Para mim, não havia mais ninguém. – Pensei que era isso que você queria – respondi.
Ela se esticou para me beijar. Sua boca já parecia tão familiar, encaixando-se na minha num ritmo fácil de beijos suaves que de repente pegavam fogo, e imaginei por um segundo como ela poderia pensar em ficar com qualquer outra pessoa. Ela me puxou para perto, buscando com a mão entre nós para me deslizar sobre sua pele. – Existe alguma regra sobre sexo desprotegido duas vezes no mesmo dia? Mordi sua orelha e sussurrei: – Eu acho que a regra deveria ser que não podem existir outros amantes. – Então devemos quebrar essa regra? – ela perguntou, erguendo os quadris. Dane-se isso. Dane-se essa interferência. Abri minha boca para protestar, para dizer que eu já não aguentava mais essa discussão em círculos que não chegava a lugar nenhum, mas então ela soltou um som faminto e quieto e se arqueou contra mim para que eu entrasse por inteiro dentro dela. Mordi meus lábios para segurar um gemido. Aquilo era surreal; já transei milhares de vezes, mas nunca, nunca foi tão bom assim. Senti o gosto do meu sangue na boca e senti o fogo em minha pele em cada toque dela. Mas, então, Demi começou a mexer os quadris em círculos, encontrando seu prazer debaixo de mim, e as palavras se dissolveram em minha mente. Sou apenas um homem, caramba. Não sou um deus. Não consigo resistir a transar com Demi agora e deixar todo o resto para depois. Eu me senti como se estivesse trapaceando; ela não me entregava seu coração, mas me entregava seu corpo, e talvez, se eu tomasse seu prazer o suficiente para acumulá-lo, eu poderia fingir que isso era algo mais. Agora já não importava o quanto eu poderia me arrepender mais tarde.

3 comentários:

  1. Eu amo essa fic posta mais logo

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  2. Aaaaaai socooooorroooooo Joe tá dando muita bandeira daqui a pouco ele se declara pra ela espero que ela aceite!

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  3. Amoo essa fic!!!! Eles são malucos e perfeitos um para o outro!!! Continua logooo!!!!

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