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A Secretaria - Capitulo 3



CAPÍTULO 3: VITORIOSA NA VICTORY


        A casa noturna Victory era exatamente o que se podia esperar do Upper East Side de Nova York. Era pós-moderna, escura, taciturna e fumegante, e tudo o que tínhamos visto dela até agora era o banheiro feminino.
        Miley e Dani estavam mais do que felizes por entrarem num dos clubs mais exclusivos de NY, cortesia de dois dos mais cobiçados solteiros do pedaço, e tínhamos concordado em encontrar os rapazes na mesa exclusiva deles na área VIP.
        Ou, ao menos, teríamos feito isso, se não fosse pelo fato de que eu havia arrastado as duas comigo para o banheiro assim que atravessamos a porta.
− Eu achei que tinha um filhinho de papai, metido a bilionário, louco para arrancar minhas calcinhas, Demi! – Dani falou irritada, encarando meu reflexo no espelho.

Nós três estávamos alinhadas na frente daqueles espelhos ostentosos, e pela forma como Mi coordenou nossos vestidos, cabelo e maquiagem, era um mistério para eu saber como eles pudessem precisar de algum retoque a mais.

− Por Deus, Dani. – eu exclamei, momentaneamente desviada do meu foco original – Dê uma chance antes de chutar o traseiro dele com suas botas marxistas, ok? Ele é um dos caras mais fofos que eu conheço.

Ela deu uma bufada nada educada para alguém vestindo cor de rosa.

− É, até parece, como se ele não achasse que eu vou ficar lambendo o chão que ele pisa por causa da carteira dele. Demi, só porque você não acredita, não quer dizer que não seja verdade. Dinheiro comanda a vida dessa gente.
Mi bufou do meu outro lado, e mostrou a língua para Danielle. Dani estava estudando as conseqüências prejudiciais de viver numa sociedade consumista capitalista no Oeste dos EUA, enquanto trabalhava meio-período num jornal impresso de esquerda. Mi estava estudando para se tornar estilista de moda enquanto se dividia com um emprego de “compradora particular para Chanel”. Não é preciso dizer que eu normalmente me sentia a própria Suíça entre as duas.

− De qualquer forma, – eu falei alto, antes que Mi perdesse a língua de tão esticada – eu vim aqui para podermos dar um abraço grupal, dar uma força uma para a outra.

Agora as duas me olhavam através do espelho, ansiosas. Eu raramente pedia por um momento assim, simplesmente porque minha vida amorosa era lamentavelmente vazia. Exceto quando eu caio no sono e imagino meu chefe entrando em mim como um animal na cama dele... foco, Demetria!
− Vocês lembram que eu talvez tenha mencionado uma vez ou duas meu interesse incrivelmente pequeno, minúsculo, quase insignificante e praticamente platônico no Sr. Jonas?

Eu indaguei, como se fosse uma pergunta qualquer, sem real importância. Dani simplesmente revirou os olhos, mas Mi gorjeou com os olhos brilhando:

− Demi, você definitivamente mencionou, sim, uma vez ou duas... nos últimos dez minutos. Desde que você começou a trabalhar lá, deve ter mencionado tantas vezes como Joseph Jonas é um sonho que se eu ouvir mais uma, vou perseguir esse cara com uma pistola automática e uma pá. – Não tive como controlar as gargalhadas à ideia daquela mini-fadinha tentando apagar alguém. – Sem mencionar os sonhos de orgasmos mega estridentes que nós temos que ouvir todas as noites.
E em seguida Dani começou uma dramatização, usando todo o fôlego de seus pulmões.

− Oh, Deus, assim! Joe, você é tãaaao bom! Me pega mais forte...

Eu a calei com uma mão sobre sua boca enquanto um grupo de garotas secando as mãos no canto do lavatório ria.

− Então, claramente, vocês compreendem onde quero chegar. – eu falei apressadamente, e as próximas palavras saíram tão rápido dos meus lábios que se essas garotas não fossem como minhas irmãs, jamais teriam entendido. – Eu-quero-seduzir-Joe-Jonas-e-preciso-de-ajuda.
Mi começou a bater palmas histericamente, eu estava esperando ela começar a cantar alguma ópera a qualquer minuto. Dani meramente ergueu uma sobrancelha, e eu sabia que ela ia me recordar da primeira vez que mencionei minha queda por Joe, quando ela me disse para simplesmente pular em cima dele, coloca-lo entre as minhas pernas e cavalgar como uma boa cowgirl.

− Quero invocar o código das melhores amigas nisso. Mi, você tem que diminuir seu entusiasmo, e Dani, você não tem permissão para dizer “eu avisei”.

Ambas pareciam crianças que tiveram seus melhores brinquedos arrancados das mãos, mas por lealdade, solenemente assentiram.

− Ótimo, agora a questão é, eu sei que vou precisar da ajuda de Kevin e Nick, mas eu não quero que eles saibam que eu estou aqui no banheiro como uma doida psicótica anunciando meus planos de seduzir o irmão desavisado e definitivamente desinteressado deles. Então, alguma idéia de como tocar no assunto com os dois?
Dani e Mi se encararam através do espelho por um minuto, e simultaneamente agarraram meus braços, enrolando nos seus, uma de cada lado. Seus sorrisos maliciosos me deixavam extremamente contente em saber que elas estavam do meu lado.

− Primeiro, Demi parabéns por ter a confiança de admitir que você quer fazer isso. Eu jamais imaginei que você teria coragem e estamos muito orgulhosas.

− É, Demi quem poderia dizer que alguns sonhos frustrantes e pervertidos poderiam canalizar seu demônio sexual interno e traze-lo à superfície?

− Uau, obrigada, Dani. – eu falei sarcasticamente, mas sabia que era o jeito dela dizer que estava orgulhosa de mim também.
A verdade era que nem eu conseguia acreditar que tinha verbalizado meus desejos também. É que eu estava tão irritada com a distancia educada que Joe mantinha de mim sempre, como se mal me visse como mulher, muito menos como alguém em quem ele poderia se interessar. Mas, hoje, quando ele se enfezou, eu queria tanto que voltasse à distancia educada. E ele voltou, me dando um "boa noite" frio e eu me senti acertando na loteria. E, bem, reagir assim para cada alteração de humor dele era simplesmente triste, patético.
Eu não ia permanecer triste, no entanto. E já que não tinha coragem suficiente para declarar meus sentimentos de forma direta, a óbvia conclusão era fazer Joe vir até mim. Eve sorriu perversamente, vendo a determinação faiscando no meu olhar.

− Não se preocupe, Demi, quando chegarmos ao fim, Joe Jonas vai estar comendo na palma da sua mão.
Passaram-se duas horas até que Dani e Mi tocassem no nome de Joe. Embora o foco desta noite tenha sido aproximar Kevin de Dani, acabou acontecendo uma conexão instantânea entre Nick e Mi. Ele era quieto, contribuindo pouco para a conversa, mas sorria e ouvia atentamente a tudo que Mi dizia, e havia passado a noite dançando com ela.
Para minha surpresa, Kevin tinha seguido todas as minhas instruções sobre como agir com Dani, e as coisas estavam dando super certo para ele. Quando ela entrou na área VIP, Kevin não olhou para nenhum ponto abaixo do pescoço dela. Cada vez que ela fazia alguma contribuição aos assuntos que conversamos, Kevin imediatamente discordava de tudo o que ela dizia. Independente do quão óbvio ela estivesse agindo, ele nem por um segundo ousou olhar para o corpo dela. Quando Dani sugeriu que eles dançassem, ele manteve uma distancia tão amigável que podiam passar por irmãos. Ao final da primeira hora, ela estava tão frustrada que me admirava não haver vapor saindo pelas suas orelhas.
Mais uma hora e três Cosmopolitas depois, Dani estava sentada no colo de Kevin. Eu estava sentada ao lado deles, e na nossa frente, estavam Mi e Nick. Em determinado ponto, Kevin se curvou para mim, agarrando meu braço e falou no meu ouvido para que eu pudesse escutá-lo mesmo com a música alta:

− Você é a rainha das casamenteiras, mocinha.

Eu ri, esperando que ele pudesse retribuir o favor em breve. Dani aparentemente ouviu o comentário de Kevin e pensava a mesma coisa, porque ela falou casualmente:

− Então, por que o outro irmão Jonas não está aqui também?

A cabeça de Mi virou-se num estalo do que quer que estivesse sussurrando no ouvido de Nick naquele momento, e agora ela prestava total atenção na nossa conversa, vendo que havia uma amiga precisando de ajuda.
− Joe tem alguns... problemas... de... controle para cuidar hoje à noite. – ele e Nick riam silenciosamente por algum motivo inexplicado da resposta da Kevin.
− Oh, é uma pena. – Mi falou no mesmo tom casual de Dani – Porque a Demi aqui teria realmente adorado ficar colada nele na pista de dança.

Eu comecei a engasgar no gole de Margarita que tinha colocado na boca naquele instante. Vi Kevin e Nick trocarem um olhar esperançoso durante meu acesso de tosse, mas não tive tempo de analisar muito isso devido à minha recém-nutrida raiva de Mi.

− Mas, que porra, Mi! – movimentei os lábios sem emitir som, enquanto ela apenas sorria radiante para mim, como se tivesse me feito um favor ou algo do tipo.

Crianças estúpidas de hoje em dia. Para onde foi a merda da sutileza?
− Sério, Demi? Tem uma coisinha rolando aí pelo nosso estimado irmão, então? - Nick me provocou.

Eu o fitei estreitando os olhos e depois fiz o mesmo com Kevin, que sorria alegremente para mim. Mas, não era um alegre do tipo "vai ser um lindo dia hoje", e sim alegre do tipo "um tubarão que acabou de avistar uma presa fácil". Caralho.

− Se algum de vocês dois sequer pensar em fazer algum comentário a respeito disso com...
− Na verdade – Dani interrompeu minha ameaça – vocês sabem que a nossa Demi não é o tipo de garota que vai se jogando pra cima do Joe, então estávamos nos perguntando se talvez vocês poderiam dar alguma dica, só aqui entre nós, que poderia ajuda-la a... fisgar Joe?
Eu queria me arrastar pra debaixo da mesa e morrer. Era unicamente pela copiosa quantidade de álcool que havia no meu corpo e traços ligeiros da determinação de antes que eu permaneci sentada na cadeira.
Surpreendentemente, Kevin e Nick não estavam gargalhando de como eu jamais conseguiria nem em um milhão de anos ter uma chance com Joe. Ao invés disso, ambos pareciam ponderar e realmente avaliar o assunto. Por fim, Nick se inclinou sobre a mesa e falou num tom muito sério:

− Demi, você não consideraria dar o primeiro passo com Joe, por acaso? – ele pausou, como se estivesse medindo suas próximas palavras. – Pode acabar poupando bastante tempo.

Eu o encarei sem expressão, incerta do que ele queria dizer com essa ultima frase, e horrorizada enquanto considerava mentalmente como seria ser rejeitada por Joe.

− Por Deus, não.
Kevin surgiu por trás de Dani, aproximando-se de mim e avisou:

− Vai ser difícil fazer com que Joe tome o primeiro passo com você, Demi.
− Claro, óbvio. Como se eu já não soubesse que ele não sente atração por mim. É nessa parte que vocês dois entram.

Kevin pareceu surpreso com algo que eu disse, mas a seriedade com que ele e Nick consideraram o pedido de Dani havia ido embora.

− Certo, então, mocinha, é hora de ofender suas sensibilidades femininas e delicadas com um pouco de Joe e sexo de A a Z.
− E isso quer dizer...? – Mi e Dani perguntaram ao mesmo tempo, parecia que estavam tomando notas, e eu meio que esperava que elas estivessem escutando com atenção, porque eu tinha experiência quase zero nesses assuntos.

Kevin engasgou, esfregando suas palmas uma na outra para mostrar que ele ia jogar a merda no ventilador.
− Quer dizer que vamos falar de Joe, especificamente, as preferências sexuais dele. Vamos começar pelos filmes pornôs de quando éramos adolescentes, passando pelas garotas que ele namorou no colegial, as noitadas na faculdade, e as mulheres mais recentes. Quando chegarmos ao fim, você vai saber como encarnar cada fantasia sexual que o rapaz já teve.

Puta. Merda.
Eu tinha um pressentimento de que meus sonhos hoje à noite seriam incríveis.



A Secretaria - Capitulo 2



CAPÍTULO 2: CORDEIRINHO

− Srta. Lovato, poderia dar uma chegadinha aqui, por favor? – a voz suave de Joe percorreu o
interfone e eu podia ouvir a braveza em seu tom, normalmente brando.

Quando eu entrei no seu escritório, tive que apertar os olhos contra a luminosidade que invadia a sala através de grandes janelas de vidro, atrás de sua mesa de mogno. Joe, inclinando-se para trás em sua cadeira de couro preta, era praticamente apenas um vulto escuro contra aquela luz forte do sol, embora eu pudesse distinguir bem seus braços e mãos a frente de seu corpo.

− Sim, Sr. Jonas ? – perguntei nervosa.

Eu sabia que ele iria querer conversar sobre nossos assuntos inacabados da noite anterior, sem dúvida me culpando por não ter a chance de finalmente me "clamar" como dele.

− Eu passei a noite inteira duro como uma pedra por você, e como você me recompensa? Me ignorando durante toda a manhã. – sua voz era cadenciada, trivial, o que era muito pior do que se ele estivesse gritando.

Era uma calma assustadora, uma calmaria antes da tempestade, e eu sabia que teria que deixá-lo saciado com rapidez.

− Eu sinto muito, muito! Eu não queria que tivéssemos sido interrompidos. Por favor, eu vou te recompensar.
Ele ainda estava com a silhueta perdida entre as sombras, então eu não podia enxergar sua reação às minhas palavras. Depois de uma eternidade, ele respondeu.

− Sim. – sua voz não era mais calma, mas grave, corajosa. Era perigosa. – Você certamente irá me recompensar. Dê a volta na mesa e se ajoelhe na minha frente.

Eu fiz conforme Joe pediu, comandou, e ele recuou sua cadeira para que eu tivesse espaço para me ajoelhar entre ele e a mesa.

− Você vai fazer exatamente o que eu falar, entendeu? – eu assenti, lambendo meus lábios.
Os olhos dele se fecharam quando fiz isso, e eu sabia que ele me faria pagar por provocá-lo dessa forma quando ele me queria com tanto desejo.

− Vem mais perto, abra o zíper da calça. E não ouse olhar para o lado.

Eu mantive meus olhos fixos nos dele enquanto habilmente me aproximava e abria seu zíper. Ele estava sem cueca por baixo, então não precisou muito encorajamento para que sua ereção surgisse pela abertura da calça.
Já havia um líquido se formando na extremidade da sua ereção, e eu automaticamente passei o dedo no fluido, espalhando pela cabecinha rosada e inchada. O quadril de Joe movimentou-se violentamente quando eu fiz isso e ele falou, entre os dentes:

− Eu não me recordo de dizer para você fazer isso, Srta. Lovato.
− D-desculpa, Sr. Jonas. O que você queria que eu fizesse?
O desejo que havia nos olhos dele me fez sentir subitamente encorajada, e eu adicionei num murmúrio rouco:

− Você queria que eu chupasse nessa coisa dura? É isso o que você queria?

Ele soltou um resfôlego estrangulado e subitamente seus punhos estavam cerrados no meu cabelo, e a cabeça do membro dele já tocava meus lábios.

− Abre sua boca e me deixa entrar.

Eu fiz como ele falou, e Joe imediatamente lançou seu membro dentro da minha boca, atingindo o fundo da minha garganta. Puxei o ar com lufadas longas pelo nariz enquanto ele estocava para dentro e para fora da minha boca. Durante todo o tempo, ele gemia e rosnava, praguejando e murmurando incoerências enquanto ofegava.

− Isso mesmo... tudo desse jeito... porra... sua boca quente... toda minha...
Os quadris dele se movimentaram mais freneticamente quando eu comecei a arranhar de leve com meus dentes em sua extensão a cada entrada, e eu podia sentir que ele estava perto.

− Demi... porra, vou gozar... você vai engolir cada gota que eu te der... Dem... você é minha... Srta. Lovato... Srta. Lovato...


− Srta. Lovato?

Eu quase saltei da minha cadeira, rapidamente abaixando a caneta em que eu estava inconscientemente sugando com a boca todo esse tempo.
Isso estava ficando ridículo. Não bastava eu sonhar com ele, agora, estava alucinando acordada. Ainda eram sete horas da manhã. Será que eu poderia ser um pouco mais deplorável? Eu realmente estava sentada à minha mesa de trabalho, imaginando Joseph Jonas enfezado por termos sido acordados pelo meu despertador nesta manhã, interrompendo nosso sexo imaginário durante a madrugada e sugando em um objeto inanimado.
E esse era o tipo de fantasia que uma garota inexperiente como eu deveria ter? Claro, eu já tinha feito muita coisa antes, não era nenhuma santa, mas uma garota essencialmente virgem ainda, no que diz respeito a completar a corrida até a linha de chegada, não deveria estar fantasiando em ficar de joelhos atrás da mesa do chefe enquanto chupava o citado chefe.
Eu não deveria estar sonhando em fazer amor com algum sósia do Orlando Bloom de sotaque sexy em hotel chique de Paris? O que isso tudo significava?

− Srta. Lovato? – certo, claramente isso conseguia ficar ainda mais humilhante.

Eu percebi que o que havia me despertado de meus devaneios diurnos era o homem em pessoa, inclinando-se sobre a minha mesa, sacudindo uma mão na frente dos meus olhos.

− Certo, desculpe, Sr. Jonas – Desculpe por não termos chegado até o fim ontem à noite, também. – Acho que aquela cafeína ainda não fez efeito.
Ele me deu um sorriso gentil, mas seus olhos estavam fixados na minha boca com o rosto franzido, sem entender. Possivelmente, ele estava se perguntando o motivo de eu estar molestando minha caneta.

− Desculpe. Eu sei que chegamos aqui bastante cedo. – era verdade. Joe era basicamente a primeira pessoa que chegava ao escritório toda manhã, e ele geralmente requisitava que sua primeira secretária estivesse lá desde o início do dia também.

Embora não fosse necessariamente uma exigência, e ele nunca havia falado isso para Maggie diretamente, ela havia me explicado pouco antes de sair de licença que Joe conseguia fazer seu trabalho render nas primeiras horas da manhã mais do que muita gente fazia ao longo de um dia. E era simplesmente mais fácil entrar no escritório mais cedo, com ele, do que chegar uma hora mais tarde para se deparar com uma lista de tarefas já atrasadas para serem cumpridas.
− Sem problemas. – eu abanei as mãos enquanto falava – Você precisa de alguma coisa?

Joe raramente, bem, ele nunca parava na frente da minha mesa para conversa fiada. E isso a total despeito do fato de que meu escritório era uma pré-sala para o dele, ou seja, ele tinha que passar por ali sempre que precisava entrar ou sair de seu próprio escritório. Além da minha mesa, ali havia o elevador privativo de Joe e uma área espaçosa bem decorada com sofás e cadeiras de espera para os visitantes. Minha segunda secretária, Sarah Bynes, tinha um cubículo entre os tantos outros daquele andar, logo do lado de fora da minha sala.

− Eu preciso de você... – Deus, por que essa frase não podia acabar aí? – ...preciso que você encontre aqueles arquivos da Davinson Aquisições para a minha reunião de almoço à uma hora da tarde.
Eu, um pouco presunçosa, estendi minha mão sob a mesa e peguei o arquivo que ele queria logo no topo da primeira gaveta. Eu amava como trabalhava bem com ele, antecipando suas necessidades antes que ele tivesse a chance de verbalizá-las. Eu aposto que poderia fazer isso fora do escritório, também.

− Aqui está. Eu imaginei ontem que você precisaria dele. Estará dentro da sua pasta antes que você saia.

Ele se ergueu, sorrindo torto daquele jeito que não ajudava em nada a restaurar meu equilíbrio.

− O que eu faria sem vo...
As portas se abriram num estrondo, efetivamente arruinando o elogio que Joe estava prestes a me dizer. Eu sustentei um olhar matador para a porta, imaginando quem poderia aparecer aqui num horário desses da manhã para interromper meu momento. E depois fiquei pensando em como alguém podia ficar assim decepcionada por esperar um elogio que envolvia somente meu caráter profissional.

− Lovato, preciso da sua ajuda! – a voz de Kevin Jonas não era algo que alguém gostaria de ouvir nas primeiras horas da manhã.

Ele veio até minha mesa a passos firmes, ignorando completamente a carranca no rosto de seu irmão, e sentou sobre a mesa. Eu me senti Maxwell Sheffield no seriado "The Nanny", embora eu tivesse certeza que a voz de Kevin conseguia ser mais irritante do que a de Fran Drescher.
− Bom dia, Kevin. O que você precisa?

Diferente de Joe, ficar nas formalidades com Kevin dava a sensação de que havia algo completamente errado. Ele e Nick tinham feito amizade comigo logo nos meus primeiros dias de empresa, quando me resgataram de um momento constrangedor com Newton Johnson, o pistoleiro do escritório. Desde então, eu frequentemente almoçava com um dos dois ou os dois juntos, principalmente porque eles eram uma piada, e por outro lado, porque uma parte minúscula de mim, carente de uma boa terapia, gostava de ter uma espécie de conexão extra com Joe.

− Eu preciso que você faça meu filme para aquela gostosura que tava com você ontem à noite, mocinha.
− Kevin! – Joe falou num tom de censura atrás de Kevin, cujos largos ombros o bloqueavam de minha visão. Eu podia só imaginar ele passando as mãos por aquele cabelo desgrenhado em irritação.
− Fica frio, Joe. – Kevin nem se virou para falar com o irmão – Agora, a garota em questão era morena, gostosa pra caralho, e estava com você e uma outra baixinha no mercado ontem à noite.
Eu corei com a ideia de Kevin ter visto Dani, Miley e eu em botas australianas, leggins, camisetas largadas e agasalhos, enchendo o carrinho de compras com itens como absorventes, shampoo anti-caspa e iogurte diet.

− Certo. É Dani, uma das minhas amigas, divide apartamento comigo. O que você tem em mente? – eu estava aborrecida, e com razão, lembrando de outros prévios planos exagerados de Kevin.
− Nada dramático, palavra de escoteiro. – ele virtuosamente pressionou uma mão contra seu peito, sem me enganar nem por um segundo. – Eu estava só pensando que você e suas amigas podiam acompanhar eu e Nick ao Victory hoje à noite.

Ele deve ter percebido minha hesitação, pois acrescentou numa voz persuasiva:

− Demi, Demi, pequena Demi, estou falando da área VIP de um dos clubs mais quentes da cidade, na minha fantástica companhia, o que pode dar errado?
Eu podia fazer uma lista de coisas que tinham chance de dar errado, sendo que nenhuma delas se tratava de Kevin não se entender com Dani. E eu já podia prever ter que acordar todas as manhãs com sua voz retumbante pelo apartamento, e não mais apenas no trabalho. Em seguida viria o período de raiva cega e absurda pelo fato de uma das minhas amigas ter seu próprio Jonas quando eu obviamente jamais teria o meu.

− Vamos, mocinha, eu faço até o Joe aqui ir junto. – antes que esse argumento pudesse fazer efeito, Joe já tinha dado a volta em Kevin, inclinando-se sobre a minha mesa, com a testa ainda franzida.

− Mas, você certamente não vai me forçar a ir junto. E é Joe, pela centésima vez. – ele virou-se para mim e sua expressão suavizou levemente – Srta. Lovato, por favor, sinta-se livre para recusar o convite, enérgica e insensivelmente. Você não tem obrigação nenhuma de organizar a vida social dele.
Eu endureci um pouco o corpo, estranhamente ofendida pelas palavras de Joe. Eu sabia perfeitamente bem que ele não estava dizendo que Sani não era boa o suficiente para Kevin, ou que não me queria nem um pouco mais envolvida com seus irmãos do que eu já era, mas foi dessa forma que senti e processei as palavras dele no meu cérebro feminino e irracional. Sem contar que a ideia de ele certamente não querer ir a uma boate sabendo que eu estaria lá me atormentava.
Eu dei a Joe uma contorcida nos lábios como forma de reconhecimento às suas palavras e direcionei meu olhar para Kevin, sorrindo radiante.

− Eu vou ao club, se você prometer nunca mais me chamar de “pequena Demi” novamente e se realmente prestar atenção às dicas que te der sobre Dani hoje durante o almoço.
− Sim! Fechado! – Kevin esmurrou o ar e bagunçou meu cabelo como se faz com um cachorro obediente. Com a missão cumprida, ele se levantou, jogando seu braço musculoso ao redor dos ombros de Joe.
− Certeza que você não quer ir com seu cordeirinho aqui, Joe? – ele perguntou em tom conspiratório.
Os olhos de Joe se arregalaram no que parecia notavelmente como uma crise de pânico ao ouvir as palavras de Benjamin, mas antes que a reação dele se prolongasse e eu pudesse ter certeza de qualquer coisa, sua fachada serena havia retornado.

− Absoluta, obrigado. – a voz de Joe era dura, fria, enquanto guiava o irmão até a saída. – Te acompanho até o seu escritório, Kevin. Há alguns tópicos que eu gostaria de discutir com você.

Kevin riu rouco e eu acho que o ouvi responder um "posso apostar que tem" antes das portas se fecharem atrás dos dois. Agora, que porra foi essa?
O que quer que fosse, quando Joe voltou, ele parecia querer fuzilar alguém e esse alguém era Benjamin. Ele entrou na sua sala sem perder tempo em me dirigir um único olhar, batendo a porta com força atrás de si.
Um minuto depois, meu interfone bipou, e eu tentei não fantasiar com Thomas me convidado para chupá-lo como um pirulito quando atendi a ligação.

− Sim, Sr. Jonas?
− Srta. Lovato, segure todas as minhas ligações que não sejam urgentes até uma hora da tarde.
− Tudo bem, Sr. Jo... – mas, ele já tinha desligado.

Certo.
Acho que ele não gostou de me ver concordando em sair com Kevin quando claramente havia mostrado que essa não era a sua vontade. Quando eu questionei Kevin durante o almoço a respeito disso, e perguntei o que ele havia dito para deixar Joe tão irritado, ele apenas me deu um sorriso enigmático, o que definitivamente representava alguma coisa, considerando que Kevin era a pessoa menos misteriosa que eu conhecia, e me disse simploriamente que "eu não preocupasse minha cabecinha linda com isso."
Passei o resto do dia ridiculamente ansiosa, me estressando com o fato de que Joe podia estar zangado comigo, embora eu soubesse que logicamente, não havia feito nada de errado e que ele não se importava comigo a ponto de ficar bravo por eu sair com os irmãos dele.
Joe não falou nada, apenas ditou ordens de uma frase só até depois das cinco e meia, quando estávamos organizando o cronograma de tarefas da próxima semana e revisando as solicitações desta, encontros e reuniões realizadas. Nosso ritual de final de sexta-feira.
Eu estava levantando do sofá da sala dele, papéis e notebook na mão, pronta para sair, quando Joe se acomodou em seu lado do sofá e disse:

− Boa noite, Srta. Lovato. Divirta-se hoje à noite.
Eu não podia acreditar na violência que meu coração batia no peito só por causa da dispensa casual que ele havia me dado, e determinei a mim mesma naquele momento que eu definitivamente iria me divertir nesta noite. Porque, hoje, eu iria convocar os irmãos dele e as minhas amigas, na minha recém-fundada campanha Ajude-Demi-A-Seduzir-Seu-Chefe.

 

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