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Anjo da Noite - Capitulo 24



Capítulo 24 – Complicações


Quando acordei estava com medo de abrir os olhos, medo de ver o que eu havia feito dessa vez. Mas outros sentimentos estavam sobressaindo ao medo... Felicidade, satisfação, prazer... Desejo. E eu teria que passar por isso mais cedo ou mais tarde. Abri os olhos devagar, ainda confusa pelo sono, não tinha ninguém do meu lado como da ultima vez, olhei pra frente, ele estava sentado na beira da cama, de frente pra mim, me observando cautelosamente.

_Oi_ falei baixinho.
_Oi_ ele deu um leve sorriso.

Eu não sabia muito bem o que dizer, estava meio nervosa e um pouquinho envergonhada. Percorri meus olhos por seu corpo discretamente, não tinha nenhuma marca aparente, ele acompanhou meu olhar e então começou a rir.

_Posso saber qual é a graça?
_Você devia ver a sua cara_ ele disse rindo.
Eu o encarei zangada.
_Desculpa_ ele tentou segurar o riso_ mas é que sua cara ta realmente engraçada.
_Que bom que eu divirto você_ falei irônica. 
_Desculpa_ ele repetiu_ mais então, a inspeção acabou?
_Nenhum dano aparente_ falei.
_Eu disse pra você que ia ficar tudo bem_ ele falou sério, mais em seguida sorriu de novo_ é tudo uma questão de pratica.
_Você é muito sabidinho_ revirei os olhos.
_Eu também posso ver o futuro_ ele fez uma careta engraçada.
_Resolveu bancar o engraçadinho hoje é?_ taquei um travesseiro nele.
_Eu só estou de bom humor_ ele tacou o travesseiro de volta.
_Sei_ ri.

Eu me virei na cama pra encarar o teto branco, o cansaço e o sono sumindo aos poucos, as memórias vindo mais claras em minha mente. Não pude evitar sorrir.

_Sabia que você fica linda quando sorri?_ ele disse depois um breve momento de silencio.
Virei meu rosto pra olhá-lo, ele me encarava de um jeito que me deixou com vergonha. 

_Da pra parar de me olhar assim? 
_Assim como?
_Assim, ta me deixando sem graça.
_Você ta com vergonha de mim?_ isso pareceu diverti-lo.
_Ah, não começa_ virei à cara.

E então ele estava em cima de mim, mas sem me tocar, escorado nos braços, um de cada lado do meu rosto, me encarando profundamente com uma expressão divertida no rosto. Ele realmente estava de bom humor.

_Eu te deixo envergonhada?
_Só quando você me encara daquele jeito.
_Você não gosta?
_Não foi isso que eu disse.

Ele se aproximou e encostou seus lábios nos meus, deixando o peso de seu corpo cair sobre o meu, e eu sentir a sua pele quente e descoberta sobre a minha. Dei um forte impulso, fazendo e ele cair na cama ao meu lado e então deitei sobre ele. Ele sorriu malicioso.

_Sabia que eu adoro esse seu sorrisinho de safado?_ sussurrei enquanto mordia de leve sua orelha.
_Adora é?_ ele riu baixinho, sua mão alisando minhas costas.
_Adoro.
Narrado pelo Joe

Minhas mãos passeavam pelo corpo dela e eu sentia sua boca em meu pescoço quando de repente ela ficou rígida, simplesmente parou de se mexer.

_Demi?_chamei mais ela não respondeu_ Demi?

Eu segurei seus ombros e a afastei pra olhá-la, seu corpo ficou mole, sem vida, eu a deitei na cama e sentei ao lado dela, seus olhos estavam abertos e completamente brancos, parecia que ela estava morta.

_Demi, fala comigo? Demi_ comecei a ficar preocupado_ Demi, por favor, responde.

Mais ela não se mexeu, continuou jogada na cama, e eu não sabia o que fazer, sacudi ela levemente pra ver se adiantava mais nenhum resultado. Então o celular dela na cabeceira da cama tocou, minha mão voou até o telefone automaticamente e eu vi no visor que era a Selena, atendi.

_Selena é você?_ falei desesperado.
_Joe? Por que você atendeu o celular da Demi? 
_Sel eu não sei o que houve com ela.
_Joe se acalma, o que houve?
_Nós estávamos conversando e ai do nada ela ficou rígida, mole, parece que está morta, não responde.
_Os olhos dela estão brancos?_ ela perguntou de repente.
_Tão, como você sabe?
_Não se preocupa Joe, a Demi ta bem. Ela só esta tendo uma visão.
_Como é?
_Isso acontece quando ela tem uma visão, olhos brancos e tal, parece morta.
_E o que eu faço?
_Nada, só espera.
_Esperar?
_Você não pode fazer nada, quando a visão terminar ela vai acordar, não se preocupa ta bom?
_Ta_ falei rápido e desliguei o telefone na cara dela.


Eu bem que tentei me acalmar, mais vê-la daquele jeito tava me deixando nervoso. 

_Demi amor? Fala comigo.
Então de repente a cor prata de seus olhos começou a voltar e em um salto, ela se levantou sobressaltada, sua respiração ofegante.

_Não_ ela gritou.
_Hei calma_ eu coloquei as mãos em seus ombros, mais ela se afastou.
_Não_ ela disse ainda assustada.
_Calma Demi, sou eu.

Ela parou por um minuto, me olhou meio confusa e então me abraçou.

_Ah, Joe_ ela me abraçou apertado.
_Shh, ta tudo bem_ disse tentando acalmá-la.
_Droga.
_Você ta bem? O que houve?_ eu a afastei um pouco pra poder olhá-la.
_Eu tive uma visão.
_É, eu to sabendo, a Sel me explicou.
_Explicou?
_Quando você tava... Tendo a visão, seu celular tocou, era a Selena, ela me explicou tudo. Mais o que foi que você viu?
_Eu não sei bem, tava tudo embaçado.
_Mas do que você lembra?_ insisti.
_Tinha um lugar aberto, não sei bem onde. Tinha uma pilastra no centro, ou algo do tipo, e alguém estava amarrado nessa pilastra.
_Alguém? Quem?
_Não sei, não pude ver o rosto, mais estava vestido de branco.
_Era um homem?
_Não sei, não deu pra saber.
_E o que aconteceu?
Ela respirou fundo antes de continuar_ Tinha um outro alguém no lugar, um vampiro.
_Vampiro? Algum conhecido?
_Não sei, também não deu pra ver.
_Ta, e ai?
_Ele tinha uma tocha na mão. E ai ele... _ ela parou, me olhando assustada.
_E ai o que? O que ele fez?
_Ele botou fogo na pessoa, queimou a pessoa que estava amarrada viva.
_Que... Queimou viva?
_É... Foi horrível_ ela disse e me abraçou apertado de novo.
_Calma, ta tudo bem_ eu a abracei de volta.

Nós ficamos ali em silencio, abraçados, sua cabeça escorada em meu peito, ouvindo as batidas de nossos corações acalmarem e a respiração desacelerar.
_Você me deu um susto_ sussurrei um tempo depois.
_Desculpa_ ela falou baixinho_ mas você acaba acostumando.
_Eu não sei se me acostumo com isso, parecia que... Você tava morta.
_Eu sei, a Sel me disse como é_ senti sua mão alisando meu braço_ mas não acontece com muita freqüência, é uma vez em vários anos, eu não sei como controlar. 
_Os seus olhos estavam brancos, foi tão estranho.
_Eu fiquei mais sinistra do que já sou?
_Você não é sinistra.
_Mas eu consegui te deixar assustado_ ela riu.
_Engraçadinha.
_Não quero que isso aconteça de novo, isso só serve pra me deixar com dor de cabeça.
_Acho que aquela brincadeira de que eu vejo o futuro não foi uma boa idéia_ comentei.
_Por quê?
_Sei lá, parece que foi só eu falar e você teve uma visão.
_Então nunca mais brinque com isso_ falou rindo.
_Pode deixar_ eu dei um beijo em seus cabelos lisos.

Eu me afastei um pouco, só pra poder contemplar a cor de seus lindos olhos, ela ainda parecia meio assustada, preocupada com essa visão, eu levantei a mão pra tocar seu rosto, sua pele macia e fria como gelo, ela repousou seu rosto em minha mão. Eu me aproximei pra beijá-la, deixando que minhas mãos deslizassem por seu corpo nu e ouvindo seu gemido baixo quando minhas mãos passaram pelo seu seio. Ela prendeu as mãos nos meus cabelos, puxando com força e então me empurrou na cama, deitando sobre mim, ficando do mesmo jeito que estávamos antes dela ter a visão.

_Os seus olhos estão mais claros que o normal_ falei depois de um tempo nos encarando.
_Depois volta ao normal, é por causa da visão.
_Eu gosto_ sorri.
_Você é louco.
_Eu sei.
Ela voltou a me beijar e então seu celular começou a tocar de novo. Eu estiquei a mão, procurando as cegas pelo telefone que eu havia jogado sobre a cama. Quando finalmente achei levei ele até o ouvido.

_Alô_ disse quando ela desceu os beijos pro meu pescoço.
_Joe?
_Eu mesmo.
_É a Selena.
_Ah, oi Sel_ falei enquanto sentia ela descer os beijos até minha barriga.
_E a Demi?
_Ela já acordou, você tinha razão era uma visão.
_Ela te contou sobre o que era?


Antes que eu pudesse responder senti sua mão me alisando por dentro da calça, não consegui segurar e soltei um gemido alto.

_Ta tudo bem ai?_ a Selena perguntou.
_Ta_ eu ouvi a risada baixa da Demi, enquanto ela via minha cara e continuava com as caricias.
_O que você ta fazendo?_ ela perguntou.
_Nada_ me segurei pra não falar besteira.
_Tem certeza?_ podia ouvir a desconfiança em sua voz.
_É melhor você falar com a Demi.
_Ta bem.


Estendi a mão, ela se ajeitou levantando, porém continuou sentada sobre mim, pegou o telefone e levou ao ouvido. Ela colocou no viva-voz pra que eu também ouvisse.

_Oi Sel.
_To atrapalhando alguma coisa?
_Não_ disse tentando segurar o riso enquanto analisava minha expressão de desgosto.
_Ótimo, sabe onde eu estou?
_Não sei e nem me interessa_ falei me intrometendo na conversa.
_Pois deveria_ ela respondeu zangada_ eu estou na sua casa.
_Na minha casa? O que você faz ai?
_Temos uma complicação.
_Muito especifico Sel_ a Demi reclamou.
_Eu não posso explicar agora mais é melhor você virem pra cá o mais rápido possível.
_Agora?
_Você disse que eu não estava atrapalhando nada_ ela lembrou.
_Bom... Estamos indo prai_ ela falou.
_Ta bom, agora eu tenho que desligar, tem um vira-lata mal encarado vindo na minha direção.
_Tchau_ eu a Demi falamos ao mesmo tempo.
Então ela desligou o telefone, o jogou na cama ao nosso lado e voltou a me encarar, eu bufei e revirei os olhos, ela sorriu.

_Não faz essa cara_ ela disse em meio às risadas.
_Sempre tem que ter alguma coisa pra atrapalhar_ reclamei zangado.
_Não precisa estressar_ ela percorreu a mão por minha barriga parando no botão da minha calça_ agente pode terminar isso depois.
_Isso é uma promessa?_ dei aquele sorriso que ela disse que adorava.
_Qualquer coisa pra ver você dando esse sorrisinho de novo.
_Sabe, eu gosto mais de você desse jeito_ comentei enquanto deslizava minhas mãos por suas pernas.
_Que jeito?
_Sei lá, mais solta, sem medo.
_Eu estou ressurgindo_ sorriu.

Ela tirou minhas mãos de suas pernas e se levantou, procurando alguma coisa no chão.

_Que você ta procurando?
_Minha roupa, não lembro onde botei.
_Por acaso é aquilo ali?_ apontei pras suas roupas dobradas em cima da cômoda.
_É sim, obrigada.

Ela sorriu e depois de tomar um rápido banho nós fomos até minha casa, inventamos a desculpa que nos encontramos no caminho e então fomos até o escritório saber qual era a complicação.
_Eu estou preocupado com isso_ Marcus falou.
_É muito estranho, o que vampiros e lobisomens fazem juntos?_ Meu pai perguntou.
_O que nós fazemos aqui conversando?_ falei.
_É diferente, nós temos negócios juntos, um interesse maior.
_Exatamente_ falei_ se eles estão juntos alguma coisa ai tem, eles querem alguma coisa.
_Joe tem razão_ Selena falou_ eles não estão matando por ai a troco de nada. Essas pessoas que morreram, são conhecidos nossos.
_Como assim conhecidos?_ Demi perguntou.
_Eu estava conversando com o Nick ontem e reparamos que todas as pessoas que morreram estavam envolvidas conosco. Elas sabem a verdade, que nós existimos.
_São todas pessoas pra quem já trabalhamos_ Nick explicou.
_Isso ai deixa tudo mais complicado_ falei.
_Acha que eles podem estar atrás de nós?_ a Demi perguntou parecendo meio preocupada.
_Não seria tão difícil pra eles nos encontrar, não precisariam sair matando todo mundo mais... É uma possibilidade_ meu pai disse.
_Se for isso temos um problema_ Marcus disse.
_E quando é que não temos?_ Nick disse enquanto revirava os olhos.

Um minuto de silencio se fez antes que o telefone do meu pai tocasse. Ele se inclinou sobre a mesa e atendeu. Ele ouviu em silencio e seu rosto sempre corado ficou pálido como o de um fantasma, ou como de um vampiro.

Anjo da Noite - Capitulo 23



Capítulo 23 – Chantagem


Mais um dia chato em casa, absolutamente nada pra fazer, nada de trabalho, eu já havia saído pra caçar... Tédio maior que aquele não podia existir. Estava andando pelo pátio quando minha querida irmãzinha apareceu, com seu sorriso cínico no rosto e me parou.

_Que é em? Não tem mais o que fazer não?_ reclamei.
_Na verdade não_ ela sorriu.
_O que você quer?_ perguntei impaciente.
_Uma luta, eu e você.
_Como é?
_Como nos velhos tempos, até tomei a liberdade de pegar suas coisas_ ela colocou a caixa na minha mão_ Eu quero mostrar pra todos como eu derrubo você num piscar de olhos.
_Você pirou de vez né? Eu não vou lutar com você.
_Não é uma sugestão, é uma ordem. Eu vou acabar com você na frente de todos e mostrar pro papai que a melhor lutadora de todas sou eu.
_Faça-me rir, só pode ser piada, você não manda em mim.
_É um favor em troca de outro favor_ ela disse_ você luta e eu fico de boca fechada. Não acha justo?
_Você não presta_ acusei.
_Olha quem fala. Então como vai ser?
_Ta bem, vamos lutar maninha.

Ela sorriu satisfeita e os fomos até a parte mais aberta do pátio. Dentro da caixa que ela me dera tinha uma coisa que eu não tinha muitas oportunidades de usar, um presente do mau pai que eu adorava, era muito prático. Ela também tinha uma enorme caixa na mão.

_Demi você vai mesmo fazer isso?_ a Selena perguntou.
_Vai ser divertido cortar a cara dela_ sorri.
_Você é louca, se ela se zangar você pode...
_Eu não tenho medo dela_ interrompi_ eu precisava mesmo de algo pra fazer, o dia tava muito sem graça, uma emoçãozinha é sempre bom.
Ela sacudiu a cabeça e bufou mais eu ignorei. Coloquei a caixa no chão e antes de abrir tirei minhas botas, ficando descalça, ia facilitar os movimentos, ela fez o mesmo. Então abri a caixa. Dentro, enrolada cuidadosamente estava uma enorme corrente, presa em cada ponta dela tinha uma lâmina bem afiada. Eu adorava usar isso pra lutar com os vira-latas quando era necessário, mais devido ao trato era difícil então estava feliz por isso. Na caixa da Taylor também tinha um brinquedinho que ela adorava, uma espada enorme e bem afiada. 

_Você vai se arrepender querida_ ela disse.
_Veremos quem vai se arrepender_ sorri.

Começaram a fazer uma roda a nossa volta, é isso que acontece quando se junta um bando de vampiros desocupados. Eu segurei firmemente a corrente, ajeitando ela em minhas mãos, a girei devagar, fazendo pequenos movimentos apenas pra aquecer, as duas laminas voavam de um lado pro outro fazendo um barulho no ar. Ela também ajeitou sua espada, a segurando firmemente e a rodando habilidosamente, em movimentos tão rápidos que um humano não enxergaria.

_Pronta?_ perguntou confiante.
_Pronta_ respondi no mesmo tom, ela se arrependeria de ser tão pretensiosa.

Ela partiu pra cima de mim com a espada, tentou me acertar uma vez mais eu desviei na hora, ela se virou rapidamente, tentando me cortar de novo mais eu prendi a sua espada com a corrente impedindo que ela se movimentasse. 

_Vamos maninha, onde esta sua força?_ provoquei_ não disse que andou praticando?
_Eu ainda nem comecei.
Ela puxou a espada com força, mais ela não soltou, eu dei um impulso forte a fazendo voar na direção da parede e fazer um barulho ensurdecedor. Óbvio que a parede ficou com um buraco, meu pai não gostaria disso, mais valia a pena. Ela se levantou, nada machucada, só mais irritada e veio de novo pra cima de mim, tentado cortar meu rosto, eu desviei, mais ela me pegou de surpresa e me deu uma rasteira, me derrubando no chão. Pegou a espada com as duas mãos, ia enterrá-la na minha cara, mais eu girei pro lado e ela só conseguiu fazer um pequeno corte no meu braço. Aproveitei que sua espada ficou presa no chão e me levantei, dando um chute em suas costas, a fazendo se desequilibrar. 

_Você realmente praticou_ falei.
_Não deveria duvidar de mim, eu nunca minto_ sorriu.
_Isso ai não é verdade, já esta mentindo viu? 
_Cala boca e luta_ ordenou.
_Você que manda.

Ajeitei a corrente em minhas mãos e voltei a rodá-la enquanto andava em sua direção, ela ia desviando agilmente da corrente, até que em um erro ela passou a todo velocidade por seu rosto, deixando um enorme corte da base do queixo até o olho. Ela colocou a mão, sentindo um pouco de dor. 

_Isso deve ter doido_ ri.
_Desgraçada_ ela gritou.

Podia ouvir os gritos, palmas e risos da nossa pequena platéia. Não ajudou no auto controle da Taylor, ela segurou a espada firmemente e veio pra cima de mim, eu prendi novamente a espada com a corrente e a puxei com força, fazendo com que ela saísse de sua mão e voasse no ar. Dei um salto e segurei sua espada no ar, caindo por cima dela, a fazendo bater com as costas no chão. Girei a corrente com uma mão, e a espada com a outra, encostando ela em seu pescoço, e escorando meu pé em seu peito, a pressionando no chão e a impedindo de levantar. A essa altura o corte no meu braço já havia sumido e o do seu rosto estava começando a desaparecer. Ela me olhou com raiva enquanto todos aplaudiam e riam da cara dela.
_É melhor você me deixar ganhar ou eu juro que vai se arrepender_ ela sussurrou em um tom muito baixo, só pra que eu entendesse do que se tratava.
_O que você vai fazer? Me bater?_ ri.
_Eu conto pra todo mundo o seu segredinho_ ela ameaçou.
_Conta_ eu ri_ eu não tenho medo de você.
_Pois deveria_ ela disse.
_Olha aqui, se você quizer contar conta_ ergui os ombros_ mais chantagem barata comigo não funciona entendeu? Não tenho medo dessa sua carinha de gata zangada. 
_Idiota_ ela gritou.
_Foi você quem pediu.

Ergui a espada com toda força que pude e então enterrei ela em sua mão, que estava pousada sobre o chão. Ela soltou um grito agudo, todos arregalaram os olhos.

_Um a um maninha_ falei e dei as costas pra ela.
_Você me paga desgraçada_ ela gritou agoniada.
_To esperando, vem com tudo_ disse enquanto me afastava.

Peguei minha bota e estava indo pro meu quarto guardar minha corrente e tomar um banho quando meu pai me parou, não parecia muito contente.

_O que foi isso Demetria? Você enlouqueceu?
_Não precisa fazer essa cara, cinco minutos e ela não vai sentir mais nada.
_Não é disso que se trata, como você faz uma coisa dessas com sua irmã?
_Foi ela que pediu, ela que provocou, então dei o que ela queria. Agora com licença.

Não deixei que ele falasse mais nada, só fui pro meu quarto e tomei um banho relaxante.
Narrado pelo Joe

Acordei cedo como sempre, tomei um banho, vesti meu jeans e uma blusa azul de botões. Como não era um costume meu usar camisa a deixei aberta, era mais confortável. Tomei meu café rapidamente e fui correndo até a casa secreta, sem me transformar, ainda assim era rápido. Dei a volta na casa, a Demi já estava lá, saindo da cachoeira só de calcinha de sutiã, toda molhada. Ela me viu e sorriu.

_Bom dia_ falou.
_Bom dia.
_Você demorou então resolvi dar um mergulho.
_Tudo bem.
_Quer nadar?_ perguntou.
_Não, obrigado.
_Ta bem, então vou me trocar pra gente dar uma volta.
_Eu espero aqui_ falei.

Ela pegou a roupa do chão e me deu um selinho ao passar, indo na direção da casa a passos humanos. Eu esperei um minuto mais então não agüentei e entrei na casa, pela porta dos fundos, que dava direto no quarto. Ela estava de costas pra mim só de calcinha, vestindo uma blusa curta e soltinha que ficava com a manga caída. Ela se virou ao perceber minha presença. Seu corpo perfeito, descoberto era como um convite que eu era cruelmente obrigado a recusar. Eu suspirei.

_O que foi?_ ela perguntou, analisando minha expressão.
_Nada_ respondi baixo.
_Tem certeza?
_Tenho, não é nada não_ forcei um sorriso.

Em um daqueles seus movimentos rápidos e desconcertantes ela estava na minha frente, eu podia sentir seu corpo quase encostando no meu.

_Você sabe que pode me contar qualquer coisa né?
_Sei sim, mais... Não é nada.
Ela se aproximou mais de mim e me abraçou, envolvendo seus braços na minha cintura por dentro da minha camisa, e escorando sua cabeça em meu peito. Eu mantive minhas mãos no lugar, sem tocá-la, eu tinha medo de não conseguir me controlar e ela ficar com raiva. Ela se afastou, percebendo minha indiferença ao seu abraço.

_Qual o problema em?
_Nenhum, é melhor você se vestir pra nós irmos_ falei.

Ela me fitou agora séria, depois olhou pra si mesma e me encarou mais uma vez, provavelmente percebendo qual era o meu problema. Ela estendeu a mão pra tocar meu rosto e deu um leve sorriso.

_Você não é muito bom nisso né?
_Em que?_ perguntei sem entender.
_Em ser paciente.
_Que descoberta_ eu revirei os olhos.
_Você será bem recompensado_ ela sorriu fraco.

Eu não resisti e me aproximei e a beijei, a segurando pela cintura, ela correspondeu, mais pareceu um pouco assustada com minha reação. Eu a soltei de repente, me odiando por ser tão imbecil.

_Desculpa_ pedi_ eu sou um imbecil, vou esperar lá fora.
Eu me virei pra sair do quarto mais ela segurou minha mão.
_Espera.
Narrado pela Demi

Eu segurei sua mão pra que ele não saísse. Sua expressão de martírio, incrivelmente linda fez meu coração bater mais depressa.

_Você não precisa sair_ eu disse.
_Não, mais é melhor que eu vá.
_Você não entendeu_ sussurrei enquanto o afastava da porta_ eu não quero que você vá.
Ele suspirou parecendo cansado.
_Olha, você tem todo direito de estar com raiva de mim, eu te dou razão... Minhas duvidas, minha falta de controle, meu mau humor... Mais eu não faço por mal, você sabe né?
_Eu não tenho raiva de você Demi_ ele estendeu a mão pra tocar meu rosto_ pelo contrario, eu sinto raiva de mim por não poder te ajudar, fazer algo que torne isso mais fácil pra nós dois. 
_Não é sua culpa_ falei.
_Não é sua também_ ele abaixou as mãos, colocando elas no bolso da calça e virando o rosto pra encarar as paredes brancas_ é só que é assim que as coisas são.
_Não gosto de te ver triste_ cheguei mais perto dele e estendi minhas mãos, mais ele as segurou antes que alcançassem seu rosto.
_Não quero que faça nada só pra me agradar_ falou sério.

Ele soltou minhas mãos e colocou as suas de volta no bolso.

_Eu não estou tentando te agradar.
_Então esta tentando me enlouquecer?_ ele perguntou agoniado.
_Eu não sabia que te fazia tanto mal_ disse triste.
_Você não me faz mal Demi, pelo contrario. Só que... Eu não sei mais o que fazer.
_Mas eu sei.
Eu me aproximei e o beijei com vontade, ele correspondeu mais não estava tão empolgado como sempre, e manteve suas mãos cuidadosamente no bolso.

_O que isso quer dizer?
_Que não quero mais ter medo, que não quero mais perder meu tempo imaginando o que vai acontecer, quer dizer que amo você e... Que eu sinto muito por te fazer sentir mal, eu quero você pra sempre.

Ele não pensou duas vezes, me abraçou pela cintura e me beijou. Eu arranquei sua blusa com força fazendo ela se rasgar e joguei no chão. Ele me segurou com força, me pegando no colo, e eu prendi minhas pernas firmemente em volta de sua cintura, enquanto minhas mãos se prendiam em seu cabelo. Ele me carregou até a cama sem parar de me beijar então me jogou nela delicadamente e se deitou por cima de mim. Ele foi descendo os beijos devagar, me causando uma sensação inexplicável, segurou minha blusa e a puxou pra cima, depois a jogou no chão junto da sua. Sua mão acariciava delicadamente todo meu corpo, subindo da perna até minha cintura, depois até meu seio. Enquanto sentia seu corpo grudado no meu, suas mãos no meu corpo, sua boca na minha, em minha pele eu me arrependi de ter perdido tanto tempo com a minha indecisão, meu mau humor, estando ali com ele, eu esqueci de todos os meus problemas, só nos dois era o que realmente importava.
 

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