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Anjo da Noite - Capitulo 18



Capítulo 18 – Impulso


Acordei cedo e fui me encontrar com o Joe na casa secreta, eu e a Sel costumávamos chamá-la assim. Ele já estava lá, me esperando, sentado na cama.

_Bom dia_ ele disse com seu sorriso encantador.
_Bom dia_ falei e me sentei ao seu lado, lhe dando um rápido selinho_ Seu pai foi lá em casa ontem.
_To sabendo, foi por causa do vampiro que eu e o Kevin vimos.
_Ele estava bem preocupado.
_Ele disse algo que não entendi.
_O que?
_Que não sabia se o vampiro era ou não um transformado. Existe outra opção?
_Bom é que ele pode ser um transformado ou aquilo que chamamos de vampiro puro.
_Vampiro puro?_ ele perguntou confuso.
_Um transformado é aquele que é mordido por um vampiro. Um vampiro puro é aquele que já nasce assim, sendo um vampiro... Como eu.
_Nascer assim?
_É, como um humano nasce, gravidez e tudo. Só que na versão vampira_ expliquei sorrindo.
_Você já nasceu assim?
_É, os vampiros transformados, quando são mordidos param de mudar, de envelhecer. Os vampiros puros nascem como uma criança só que vampira e crescem até determinada idade, como no meu caso dezoito anos.
_Você tem dezoito anos?
_Tecnicamente sim.
_Eu não sabia que vampiros podiam ter filhos_ ele fez uma careta de confusão.
_Só os vampiros puros podem. Você nunca percebeu a diferença entre mim e a Sel?
_Diferença?
_Meu coração bate e o dela não. Eu tenho sangue em minhas veias.
_A Selena é transformada?
_É sim.
_Mas não entendo, se só os vampiros puros podem ter filhos, como você pode ser filha do Marcus e da Daiana? É só de consideração?
_Não, eles são vampiros puros também.
_Mas eles são mais velhos, não tem dezoito anos. Sua mãe até que é jovem, mas seu pai não... Eu não entendo.
_Eles são diferentes, eles envelheceram mais que os outros. Não sei por que, eles são diferentes e eu também sou, nós somos uma família de aberrações no meio de um monte de aberrações. 
_Você não é uma aberração e...
_Esquece ta bom?_ eu me levantei da cama, ficando de frente pra ele.
_Vocês são tão complicados_ ele revirou os olhos.
_Então não tente entender, guarde sua curiosidade.
_É muito difícil_ ele falou e se levantou pra ficar a minha frente.
_A curiosidade matou o gato.
_Eu não sou um gato, sou um cachorro, um lobo melhor dizendo_ ele colocou as mãos em minha cintura me puxando pra mais perto.
_Você é um gato sim_ sorri maliciosamente.
_Você acha?_ ele chegou seu rosto mais perto do meu.
_Acho sim.

Ele se inclinou pra beijar meu pescoço, e minhas mãos apertavam seus braços nus.

_Você me deixa louco sabia disso?_ ele sussurrou entre beijos.
_Sabia_ brinquei_ você também me enlouquece.

Ele riu baixinho e encostou seus lábios nos meus delicadamente. Nossas bocas se abriram dando inicio a um beijo intenso, cheio de desejo. Suas mãos deslizaram pelo meu corpo me deixando arrepiada, eu levei minhas mãos até sua nuca, acariciando, o puxando pra mais perto. Ele apertou minha cintura com força, e alisou minhas costas, por debaixo da blusa. Ele me virou na direção da cama sem parar de me beijar e foi andando devagar na direção dela. Eu me afastei instintivamente vendo onde aquilo ia dar.
_Para_ eu tirei suas mãos de mim.
_Que foi?_ ele pareceu meio confuso.
_Eu não posso_ falei ofegante.
_Por quê? Você não quer?_ ele pareceu decepcionado.
_Quero, quero muito, você nem faz idéia_ disse nervosa.
_Então qual o problema?_ ele se aproximou pra beijar meu pescoço de novo, eu revirei os olhos e quase me desconcentrei.

Eu me movimentei rápido, indo parar do outro lado do quarto, o mais distante possível dele. Ele me encarou confuso, sua respiração estava ofegante como a minha.

_Você não faz idéia de como dói, sentir o seu cheiro a essa distancia que estou agora.
_Mas você se controla tão bem e...
_Você não entende_ fui de novo pra perto dele, a apenas alguns centímetros_ Quando eu estou assim com você, eu não consigo pensar direito, eu fico confusa e dói tanto, a sede é quase insuportável. Eu vou te machucar.
_Não vai não_ ele me fitou esperançoso, eu podia ver o desejo queimando dentro dele, tanto quanto em mim_ você é forte.
_Não sou não_ sussurrei derrotada_ eu sou um monstro.
_Para com isso Demi, ta tudo bem, você pode...
_Não eu não posso, por favor, não insiste_ eu me exaltei.

Ele me fitou sério por um momento que pareceu não ter fim. Eu não queria que ele ficasse com raiva mais eu não ia arriscar a vida dele daquele jeito, mesmo ele não sendo tão frágil. 

_É melhor irmos embora_ ele disse finalmente.
Eu me segurei pra não chorar na frente dele, porque ele não entendia? Porque tinha que ser assim?
_Meu pai já esta desconfiado do porque eu saio tanto_ ele disse quando eu não respondi, eu podia sentir o seu esforço pra ser gentil.
_É melhor mesmo_ eu disse, meu tom de voz saiu cortante, mais do que pretendia.
Eu não estava com ânimo pra correr, e fui andando na direção da selva, ele esperou um minuto antes de me seguir, sem se transformar, nós andamos em silencio. Eu não consegui me segurar e senti as lágrimas traiçoeiras descerem pelo meu rosto, levantei a mão pra limpar e senti sua mão segurar meu braço.

_Você ta chorando?_ ele parecia culpado.
_Não_ menti, mais minha voz quase inaudível me entregou.
_Desculpa_ ele me abraçou_ eu não queria ser grosso, nem te magoar é que é tão difícil.
_Eu sinto muito, eu queria ser diferente, não queria ser esse monstro_ disse em meio às lágrimas.
_Você não é nada disso, eu que sou um idiota_ sua voz estava agoniada.

Eu me afastei pra olhar seu rosto, ia dizer alguma coisa quando senti algo estranho, uma presença.

_Não estamos sozinhos_ falei.
_Como é?_ ele perguntou confuso.
_Tem alguém aqui_ sussurrei.

Nós nos viramos pra olhar ao mesmo tempo, então ele saiu correndo da floresta e parou quando nos viu. Aparentava ter a idade do Joe, moreno, seus cabelos e olhos eram negros. Era um lobisomem, nos encarou com raiva, parecia descontrolado.

_Sanguessuga_ ele falou com sua voz grossa, me encarando com ódio.

Ele se transformou diante de nossos olhos, e rugiu. Ele pulou na minha direção e antes que eu pudesse pensar em fazer alguma coisa o Joe já havia se transformado e se jogado na minha frente pra me proteger. Ouvi seu grunhido de dor quando o lobisomem o acertou. Meu coração disparou com a adrenalina, os dois começaram a lutar, derrubando umas árvores junto. O lobisomem descontrolado ameaçou vir pra cima de mim novamente e o Joe o acertou. O lobisomem correu e o Joe foi atrás, desaparecendo pelo meio das arvores. Desesperada. Com medo que ele se machucasse e sem saber o que fazer corri até em casa e entrei feito louca no escritório do meu pai.
_Pai por favor_ disse desesperada.
_O que houve Demi?_ ele perguntou preocupado, se levantando e vindo em minha direção.
_O Joe, ele precisa de ajuda.
_Quem? 
_Eu estava na floresta conversando com ele quando um lobisomem descontrolado apareceu do nada e atacou, os dois saíram lutando e... Ele vai se machucar e...
_Calma Demi_ ele pediu_ nós não temos nada haver com esse lobisomem.
_Ele fez pra me salvar, o lobisomem ia me matar e ele se jogou na frente pra me proteger_ disse.
_O que você tava fazendo na selva com ele?
_Agente se encontrou por acaso_ menti rapidamente_ o senhor precisa fazer alguma coisa.
_Por que você se importa tanto?_ ele perguntou desconfiado.
_Eu fiz o maior esforço que pude pra não matá-lo, eu não quero que ele morra por minha culpa e arrume mais problemas. Lobisomem ou não ele tava tentando me proteger_ insisti.
Ele viu a agonia nos meus olhos_ Ta bem, vem comigo.

Sem dar avisos a mais ninguém, nós dois corremos pela floresta e em poucos minutos chegamos à casa dos lobisomens, Paul se surpreendeu ao nos ver.

_Marcus?_ ele nos olhou surpreso_ o que foi?
_É o seu filho_ eu disse_ nós estávamos na floresta quando um lobisomem louco apareceu e nos atacou, o Joe e ele começaram a lutar e eu não sei mais o que aconteceu.
_Um lobisomem?
_É, ele me atacou e o Joe se enfiou na minha frente pra ajudar.
_O que vocês tavam fazendo na floresta?
_Agente se esbarrou por acaso_ falei impaciente.
_Droga, e pra onde eles foram?
_Não sei. Ele saiu correndo atrás do lobisomem e eu não o vi mais.
_Ta bem, eu vou... Marcus vem comigo, por favor?_ ele pediu.
_Ta bem_ meu pai concordou e eles saíram correndo.

O Kevin se aproximou de mim junto com a Dani.

_Demi, calma vai ficar tudo bem_ ele tentou me acalmar.
_Se acontecer alguma coisa com ele eu...
_Não vai_ a Dani me interrompeu_ o Joe é forte, calma.
Nós esperamos impacientes enquanto meu pai e o Paul discutiam algo no escritório. Foi ai que o Joe entrou pelo portão, seu rosto estava cheio de marcas, ele estava sangrando e segurando o braço, sua expressão era de dor. Eu prendi a respiração, o Kevin foi na direção dele e rapidamente o Paul e meu pai apareceram também. Eu fiquei congelada no lugar.

_Joe? Meu Deus você ta bem?_ Paul perguntou.
_To, só acho que desloquei o braço_ ele fez careta e seus olhos pararam no meu rosto assustado.
_O que houve?_ Kevin perguntou.
_Demos de cara com um lobisomem na selva, ele atacou, em um impulso eu me atraquei com ele e começamos a lutar e ele fugiu.
_Sei, a Demi contou, mais o que houve depois?_ Meu pai perguntou.
_Eu corri atrás dele, ele foi na direção da cidade, o segui até um beco e ele estava lá, junto com um vampiro e um cara morto.
_Tinha um vampiro com ele?_ Paul disse incrédulo.
_Tinha, eu lutei com os dois e num momento de distração os desgraçados deslocaram meu ombro e acertaram meu rosto.
_E o que ouve com eles?
_Conseguiram fugir, eu não consegui evitar_ ele falou e fez outra careta de dor.
_Me deixa ajudar.

Meu pai estendeu a mão e o Joe a segurou, ele contou até três e puxou o braço dele com força, o colocando no lugar. Ele deu um grito de dor e eu estremeci ainda paralisada no mesmo lugar.

_Obrigada_ ele disse.
_Que calça é essa?_ Kevin perguntou de repente.
_Por causa do machucado eu não consegui me transformar mais, e não podia ficar andando pelado por ai então peguei do cara morto no beco, ele não ia precisar mais_ falou.
_Ta, vem comigo.

Paul o levou até o escritório e eles junto com meu pai conversaram sobre tudo que houve. Eu esperei no corredor, do lado de fora da sala, o Kevin ficou comigo, tentando me acalmar. Eu podia sentir o cheiro do sangue dele e estava me deixando louca.

_Demi, calma_ ele falou.
_Droga_ fiz careta_ o cheiro.
_Ta tudo bem, calma.
Eu ia entrar na sala quando o Kevin me segurou pelos braços com força.

_Você não quer machucá-lo né? Então calma.
_Tudo bem_ tentei.
_Isso.

Ele me soltou, disfarçando a preocupação quando um lobisomem passou pelo corredor. Alguns minutos depois eu estava melhor, eles saíram da sala.

_Obrigada por vir Marcus, Demi_ Paul agradeceu.
_Não tem de que_ meu pai disse_ seu filho salvou minha filha.
_Aposto que ela teria cuidado disso melhor do que eu_ Joe riu.
_Obrigada mesmo assim. Vamos filha?
_Me da um minuto?_ pedi.

Todos olharam meio desconfiados mais assentiram, e me deixaram sozinha no corredor com ele.

_As marcas sumiram_ falei de seu rosto, ergui a mão pra tocá-lo mais me controlei.
_Eu me curo rápido_ ele sorriu.
_E o braço?_ perguntei.
_Daqui a pouco passa.
_Vamos nos ver amanha?
_Não esta no nosso itinerário_ ele brincou_ e meu pai não vai me deixar sair de casa amanha por nada no mundo. 
_Entendo_ falei triste.
_Pode ser depois de amanha?_ ele perguntou quando viu minha expressão triste.
_Claro.
_Vou esperar ansioso_ ele sorriu levemente.
_Obrigada_ falei baixinho.
_Eu não ia deixar aquele idiota encostar um dedo em você_ ele falou e segurou minha mão.
_Você podia ter morrido_ falei.
_Eu morreria por você com muito prazer_ ele falou.
Ele se inclinou pra me beijar, mas eu me afastei quando percebi que tinha alguém vindo, ele soltou minha mão. Eu não precisei olhar pra trás pra saber que a tal Vanessa estava nos olhando.

_Obrigada_ falei de novo e dei as costas pra ele, indo embora.
_De nada_ eu o ouvi dizer baixinho.

Minha vontade era ignorar aquela lambisgóia no fim do corredor e correr pra abraçá-lo, beijá-lo, mais eu não podia, ia causar muita dor de cabeça. Quando virei no corredor, parei, ela tinha chegado nele, queria ouvir o que ela diria, entrei em sua mente e não gostei muito do que ouvi.

_Você ta bem amor?_ ela perguntou preocupada.
_To, e, por favor, não me chama de amor_ ele reclamou.
_Porque você se arriscou pra salvar aquela sanguessuga? 
Porque ele não deixou que o lobisomem estraçalhasse aquela carinha perfeita dela?
_Olha isso não te interessa_ ele respondeu grosseiro.
_Não precisa ser grosso. 
Porque ele defende tanto aquela idiota? Ele deveria se preocupar comigo e não com ela.
_Então não me de motivos pra ser grosso_ ele disse.

Eu continuei a andar quando ouvi o som dos seus passos, me encontrei com meu pai e fomos juntos pra casa.

4 comentários:

  1. Aaaaaaaaaaah vc postou logo dois capítulos hahaha te adooroo mas a ansiedade aumentou mais ainda kkkkkk
    As coisas estão ficando bem tensas néh :O

    Postaa loogo!!!

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  2. Oh se vai ficar pior vc não viu nada ainda........kkkkkk

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